{"id":1295,"date":"2024-11-28T19:37:34","date_gmt":"2024-11-28T22:37:34","guid":{"rendered":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1295"},"modified":"2024-11-28T19:37:34","modified_gmt":"2024-11-28T22:37:34","slug":"racismo-religioso-3-historias-de-quem-ja-viveu-na-pele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=1295","title":{"rendered":"Racismo religioso: 3 hist\u00f3rias de quem j\u00e1 viveu na pele"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">No estado de S\u00e3o Paulo, um vigia de shopping chegava ao seu posto para trabalhar vestindo camisetas que ilustravam sua cren\u00e7a: uma religi\u00e3o de matriz africana.\u00a0 Antes de iniciar seu trabalho, ele trocava sua roupa pelo uniforme e realizava o servi\u00e7o normalmente. Ao fim do turno, colocava a mesma camiseta com a qual chegou e partia para casa. \u201cSeus santos n\u00e3o v\u00e3o te ajudar, vou fazer de tudo para recolher voc\u00ea de posto\u201d, foi uma das tantas ofensas e amea\u00e7as que ele ouviu de seu coordenador.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No ano passado, a empresa em que o vigia trabalhava foi condenada a pagar 10 mil reais de indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0 v\u00edtima por viola\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio moral em virtude de racismo religioso. Esse \u00e9 apenas um dos casos que <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/paolamineiroadv\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Paola Mineiro<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, advogada especializada em direitos trabalhistas e em direito antidiscriminat\u00f3rio, conta para a Babel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os\u00a0 <\/span><a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/cotidiano\/ultimas-noticias\/2024\/07\/17\/dados-violacoes-religiao-mdh.htm\"><span style=\"font-weight: 400;\">casos de intoler\u00e2ncia<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> contra religi\u00f5es afro-brasileiras cresce no Brasil, com um aumento de 45% nesse tipo de viola\u00e7\u00e3o comparando o primeiro trimestre de 2023 ao mesmo per\u00edodo de 2024, segundo a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em contrapartida a esse fato, as leis referentes a esse crime est\u00e3o se atualizando. As altera\u00e7\u00f5es mais recentes na Lei do Racismo de 1989 s\u00e3o as de <\/span><a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2023-2026\/2023\/lei\/l14532.htm\"><span style=\"font-weight: 400;\">janeiro de 2023<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, aumentando a pena para pessoas que cometerem tais crimes tanto em redes online como em qualquer p\u00e1gina da internet, por exemplo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, o par\u00e1grafo 2\u00ba-B da nova lei faz uma ressalva estritamente ligada \u00e0s pr\u00e1ticas religiosas, relacionando-as com o crime de racismo. O par\u00e1grafo explicita que \u201cincorre nas mesmas penas quem obstar, impedir ou empregar viol\u00eancia contra quaisquer manifesta\u00e7\u00f5es ou pr\u00e1ticas religiosas.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O termo racismo religioso ainda \u00e9 recente e est\u00e1 pouco a pouco sendo constru\u00eddo. Com a mudan\u00e7a na Lei do Racismo, o assunto tomou mais for\u00e7a no pa\u00eds. Paola Mineiro explica que o termo se refere \u00e0 hist\u00f3ria brasileira de persegui\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o \u00e0 cultura e aos direitos da popula\u00e7\u00e3o negra desde a forma\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O termo s\u00f3 \u00e9 aplic\u00e1vel quando nos referimos ao preconceito direcionado a religi\u00f5es afro-brasileiras e n\u00e3o se estende ao cristianismo, islamismo, juda\u00edsmo, ou qualquer outra cren\u00e7a. \u201cRacismo religioso \u00e9 baseado na intoler\u00e2ncia religiosa voltada para religi\u00f5es de matriz africana. Ent\u00e3o Candombl\u00e9, Umbanda, Jurema, e mais uma s\u00e9rie de denomina\u00e7\u00f5es que a gente entende que est\u00e1 dentro desse guarda-chuva.\u201d, explica a advogada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas como o racismo religioso se manifesta? Recusa ou mal atendimento por conta da religi\u00e3o do indiv\u00edduo, ou ass\u00e9dio moral em ambientes de trabalho que impe\u00e7am, por exemplo, o trabalhador de usar suas guias, tamb\u00e9m est\u00e3o inclu\u00eddos na no\u00e7\u00e3o de racismo religioso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mais que isso, essa viol\u00eancia \u00e9 persistente na vida de milhares de praticantes de religi\u00f5es afro-brasileiras. Desde olhares tortos a exclus\u00e3o, essa popula\u00e7\u00e3o, principalmente a popula\u00e7\u00e3o preta, sofre constantemente com ofensas, que tornam atividades banais do dia a dia muito mais penosas e com marcas que podem perdurar por uma vida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Babel conversou com tr\u00eas mulheres pretas do candombl\u00e9 e da umbanda para contar suas viv\u00eancias e lutas no enfrentamento do racismo religioso.<\/span><\/p>\n<h2>\u201c\u00c9 como se eu estivesse suja\u201d<\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 sexta-feira de manh\u00e3. Dia de preceito. Vanilde, ou Val, como tamb\u00e9m gosta de ser chamada, cumpre esse rito sem falhas. Os preceitos, na religi\u00e3o, s\u00e3o um momento de resguardo e reequil\u00edbrio. Ela, ent\u00e3o, veste-se toda de branco, com seus fios e seu pano de cabe\u00e7a, nada de se alimentar de carne, pimenta, ou o caf\u00e9zinho que tanto gosta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Naquela manh\u00e3 de sexta, Val consegue um assento no \u00f4nibus e ainda mant\u00e9m um espa\u00e7o vazio ao seu lado. Durante o caminho, o ve\u00edculo come\u00e7a a encher e se apinhar de gente. Aos poucos, os bancos come\u00e7aram a ser ocupados pelos passageiros, assim como todo espa\u00e7o nos corredores, exceto o lugar livre ao lado de Val. At\u00e9 o terminal de \u00f4nibus, ningu\u00e9m ousou sentar ao seu lado, ela foi o trajeto todo sozinha. Preferiam seguir seu caminho em p\u00e9 em um \u00f4nibus lotado numa manh\u00e3 de sexta em S\u00e3o Paulo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu senti como se estivesse suja.\u201d, ela confessa.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1298\" aria-describedby=\"caption-attachment-1298\" style=\"width: 225px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1298 size-medium\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/WhatsApp-Image-2024-11-25-at-14.28.13-1-225x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1298\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Vanilde Concei\u00e7\u00e3o \/ Arquivo<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vanilde \u00e9 uma mulher preta, 47 anos, baiana e que atualmente mora em S\u00e3o Paulo. Sua aproxima\u00e7\u00e3o com a religi\u00e3o aconteceu quase que espiritual<\/span>mente. Ela sempre passava em frente a uma casa de candombl\u00e9 e sentia como se algo chamasse por ela. Decidiu marcar, ent\u00e3o, um jogo de b\u00fazios para entender qual o sentido de tamanha atra\u00e7\u00e3o. O jogo abriu as portas de Val. \u201cDeu certinho que eu pertencia \u00e0quela casa e \u00e0quela religi\u00e3o\u201d, ela conta.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m, desde crian\u00e7a, antes mesmo de entrar para a casa, j\u00e1 notava que aquela cren\u00e7a n\u00e3o era bem vista. Na Bahia, Val se lembra de ouvir vizinhos comentando num tom preconceituoso sobre pessoas que praticavam o candombl\u00e9. Ela n\u00e3o se metia, ficava calada e, como ela mesmo diz, seguia sua vida normalmente, afinal, as ofensas n\u00e3o eram direcionadas para ela. Ainda n\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Anos mais tarde, ap\u00f3s se iniciar no candombl\u00e9, Val nunca escondeu seu amor pela cren\u00e7a e nunca deixou de seguir os dogmas por conta de julgamentos alheios. Val \u00e9 empregada dom\u00e9stica e quando tem servi\u00e7o \u00e0s sextas, n\u00e3o abre m\u00e3o do seu preceito para se encaixar. E por mais que n\u00e3o tenha sofrido nenhuma ofensa dos seus empregadores que se lembre, o epis\u00f3dio no \u00f4nibus a caminho do trabalho mudou a percep\u00e7\u00e3o de Val de como o preconceito est\u00e1 enraizado nas pessoas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante nossa conversa, enquanto relatava o acontecido, Val n\u00e3o deixou de mostrar sua frustra\u00e7\u00e3o. Era apenas mais uma viagem de \u00f4nibus para o trabalho. Um dia como qualquer outro para qualquer outra pessoa. Ainda assim, \u00e9 um dia que Vanilde n\u00e3o vai se esquecer.<\/span><\/p>\n<h2>\u201cDesinforma\u00e7\u00e3o vira muni\u00e7\u00e3o\u201d<\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aos 6 anos de idade, Bruna foi questionada por uma amiga que morava na regi\u00e3o se era o av\u00f4 dela que tinha \u201ca casa do diabo\u201d. Seli n\u00e3o entendeu o motivo do coment\u00e1rio. \u201cN\u00e3o, meu av\u00f4 tem um centro\u201d. A amiguinha, buscando confirma\u00e7\u00e3o, perguntou ent\u00e3o para o pai, que assistia \u00e0 cena: \u201cEsse neg\u00f3cio de incorporar entidade n\u00e3o \u00e9 coisa do diabo?\u201d. O homem confirmou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A caridade e a f\u00e9 sempre fizeram parte da inf\u00e2ncia de Bruna Seli. Moradora de uma regi\u00e3o humilde pr\u00f3xima a Salvador e neta do homem que conduzia um centro universalista que \u201cera mais umbanda que qualquer outra coisa\u201d, nas palavras dela, Bruna se via envolvida nas atividades da f\u00e9 do av\u00f4. A incorpora\u00e7\u00e3o, o passe e as entidades falangeiras eram parte do dia a dia da menina e de sua fam\u00edlia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m dos ritos rotineiros do centro, o local era bastante conhecido nos arredores por conta das a\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias que promovia \u00e0 popula\u00e7\u00e3o carente local. Ainda assim, isso n\u00e3o era o suficiente para que as pessoas respeitassem quem frequentasse a casa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E foi aos seis anos de idade, em uma conversa com uma amiga, que Bruna notou que algo que lhe era t\u00e3o natural desde pequena, era visto com um olhar totalmente distorcido por muitos. Mais que isso, essa vis\u00e3o, que era completamente oposta \u00e0 sua, era ensinada e encorajada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com a morte da av\u00f3, sua fam\u00edlia se viu numa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil. Abandonaram a religi\u00e3o e viveram um tempo sem professar nenhuma f\u00e9. Por volta de 2017, sua m\u00e3e passou a frequentar novamente um centro de umbanda. Num primeiro momento, Bruna n\u00e3o sentiu nenhuma vontade de participar. \u201cUm dia eu fui s\u00f3 tomar um passe e acabei ficando\u201d, ela conta rindo.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1297\" aria-describedby=\"caption-attachment-1297\" style=\"width: 261px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1297 size-medium\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/2131de5c-a9ce-4838-9728-a2b3898af546-261x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"261\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1297\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Bruna Seli \/ Arquivo<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas o in\u00edcio na religi\u00e3o n\u00e3o foi f\u00e1cil. Por saber das ideias das outras pessoas a respeito da umbanda, Bruna se sentia insegura e, algumas vezes, com vergonha. \u201cA gente acaba nem tendo convic\u00e7\u00e3o daquilo que a gente acredita por uma massa querer impor o que \u00e9 errado e o que \u00e9 certo\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante uma visita \u00e0 casa de uma amiga, Bruna viu sua conversa sobre religi\u00e3o sendo interrompida pela m\u00e3e da garota. A mulher dizia que aquilo tudo era errado e que j\u00e1 havia visto pessoas se arrependendo no leito de morte por escolher seguir esses credos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Bruna ficou sem rea\u00e7\u00e3o, at\u00e9 por ser iniciante na umbanda. Hoje, ela pensa que teria uma atitude diferente, que n\u00e3o deixaria de se defender. Ela conclui <\/span><a href=\"https:\/\/vm.tiktok.com\/ZMhwUsmFp\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">o relato<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> com um fato curioso: \u201cUns meses depois a m\u00e3e dessa minha amiga veio me procurar porque queria fazer um trabalho com meu pai de santo\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante nossa conversa, Bruna contou diversos casos que sofreu no trabalho, no transporte e na presen\u00e7a de amigos da religi\u00e3o. Ela ainda disse que pessoas brancas praticantes vivem um contexto diferente do dela. \u201cEu sei que pessoas pretas retintas, que n\u00e3o \u00e9 o meu caso, passam bem pior. E pessoas brancas n\u00e3o passam o que eu passo.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje, com 25 anos, <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/brunaselii\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Seli<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 atriz e produz conte\u00fados bem-humorados sobre a religi\u00e3o nas redes sociais. Al\u00e9m de contar relatos sobre suas experi\u00eancias na umbanda, ela ainda tece cr\u00edticas a informa\u00e7\u00f5es e coment\u00e1rios desrespeitosos e distorcidos referentes a religi\u00f5es afro-brasileiras. Para ela, falar sobre essas quest\u00f5es \u00e9 mais do que um trabalho, \u00e9 uma ferramenta poderosa: \u201cdesinforma\u00e7\u00e3o vira muni\u00e7\u00e3o\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2>\u201cSou um ser humano e mere\u00e7o respeito\u201d<\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Era uma sexta-feira, dia 24 de maio de 2024, por volta das 10h30 da manh\u00e3. Iaraci foi ao sal\u00e3o de beleza do Shopping Norte em Salvador para fazer as unhas e cortar o cabelo. Ela se direciona \u00e0 recepcionista e diz que gostaria de fazer p\u00e9 e m\u00e3o. Nesse momento, uma senhora tamb\u00e9m negra passa por Iaraci e diz: \u201ceu \u00e9 que n\u00e3o vou atender este povo\u201d, a encara dos p\u00e9s \u00e0 cabe\u00e7a e escolhe uma senhora branca para atender.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No dia 26 de novembro de 1966, Iaraci Santos Brito nascia pelas m\u00e3os de uma parteira Iyalorix\u00e1 na ilha Salinas da Margarida, em Salvador. A av\u00f3 de Iaraci tamb\u00e9m possu\u00eda o cargo sagrado. Sua m\u00e3e era rezadeira. Seu destino para com o Candombl\u00e9 parecia selado desde o nascimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ela \u00e9 hoje <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/maeiaradeoxum\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">M\u00e3e Iara D\u2019Oxum<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. \u201cEu n\u00e3o sou Iyalorix\u00e1, eu estou Iyalorix\u00e1\u201d, ela faz quest\u00e3o de dizer. Iyalorix\u00e1 \u00e9 uma outra denomina\u00e7\u00e3o para o termo m\u00e3e de santo, a sacerdotisa de um terreiro. Aos 23 anos anos, ela abriu sua casa <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Il\u00ea Tom\u00edm Kiosise Ayo<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> na periferia de Salvador e desde ent\u00e3o vem prestando servi\u00e7os \u00e0 comunidade, \u00e0 sua ancestralidade e espiritualidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, M\u00e3e Iara \u00e9 uma figura conhecida, somando mais de 500 mil seguidores em suas redes sociais com seu conte\u00fado a respeito da religi\u00e3o. O caso que Iaraci nos conta agora foi exposto por ela em suas redes. Mais do que um desabafo, seus conte\u00fados sobre o ocorrido viraram den\u00fancia e luta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">M\u00e3e Iara n\u00e3o sabe dizer o que sentiu no momento em que sofreu racismo religioso no sal\u00e3o, lhe faltaram palavras naquele instante. Por\u00e9m, meses depois, enquanto nos conta seu relato, ela chora intensamente. A dor que a situa\u00e7\u00e3o lhe causou \u00e9 vis\u00edvel. \u201cEu me senti t\u00e3o pequena\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Logo ap\u00f3s o coment\u00e1rio ofensivo da funcion\u00e1ria do sal\u00e3o, ela liga para a filha Carol e conta o que aconteceu. Pouco tempo depois, Carol surge com um advogado, que chama a pol\u00edcia militar. Afinal, o que havia ocorrido era crime.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com a presen\u00e7a dos policiais, do advogado de Iaraci e do advogado da dona do sal\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o acabou sem resolu\u00e7\u00e3o.\u00a0 N\u00e3o havia nenhum mandado de pris\u00e3o. Tudo o que restou foram as amea\u00e7as do advogado da dona do sal\u00e3o de processar M\u00e3e Iara por difama\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEra como se eu tivesse voltado para a senzala, para os meus antepassados, e aquilo gritava dentro do meu peito\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No dia seguinte, como <\/span><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/ba\/bahia\/noticia\/2024\/05\/25\/ialorixa-denuncia-intolerancia-religiosa-em-salao-de-beleza-em-salvador.ghtml\"><span style=\"font-weight: 400;\">protesto<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, Iaraci voltou ao shopping com atabaques e com os frequentadores de sua casa, cantaram e professaram sua f\u00e9 no local onde ela n\u00e3o foi bem-vinda.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1299\" aria-describedby=\"caption-attachment-1299\" style=\"width: 278px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1299\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Capturar-278x300.png\" alt=\"\" width=\"278\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1299\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: M\u00e3e Iara D&#8217;Oxum \/ Arquivo<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje, contar sobre a situa\u00e7\u00e3o do dia 24 de maio n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas ajuda a aliviar a dor. Para M\u00e3e Iara, falar sobre isso \u00e9 um ato de resist\u00eancia. E ela encoraja que qualquer um que sofra com o preconceito, com o racismo e com a intoler\u00e2ncia fa\u00e7am o mesmo: gritem para o mudo, reajam e jamais se calem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cIndependente da minha ancestralidade, da minha cor e da minha religi\u00e3o, eu sou um ser humano e mere\u00e7o respeito\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"No estado de S\u00e3o Paulo, um vigia de shopping chegava ao seu posto para trabalhar vestindo camisetas que ilustravam sua cren\u00e7a: uma religi\u00e3o \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=1295\"> <\/a>","protected":false},"author":159,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[441],"tags":[],"class_list":["post-1295","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-babel-2024-ed-dezembro"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Racismo religioso: 3 hist\u00f3rias de quem j\u00e1 viveu na pele - Revista Babel<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"A Babel conversou com 3 mulheres que j\u00e1 sofreram com racismo religioso. 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