{"id":1350,"date":"2024-12-05T16:38:21","date_gmt":"2024-12-05T19:38:21","guid":{"rendered":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1350"},"modified":"2024-12-14T14:45:14","modified_gmt":"2024-12-14T17:45:14","slug":"o-que-a-historia-de-um-macaco-prego-explica-sobre-exploracao-animal-nas-redes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=1350","title":{"rendered":"O que a hist\u00f3ria de um macaco-prego explica sobre explora\u00e7\u00e3o animal nas redes"},"content":{"rendered":"<p>Ele n\u00e3o tem nome. Vou cham\u00e1-lo de Chico. Macaco-prego Chico. Um dos primatas mais inteligentes da natureza, origin\u00e1ria das florestas tropicais e subtropicais da Am\u00e9rica do Sul. Sua esp\u00e9cie tem pelagem que varia desde do amarelo ao cinzento escuro, passando pelo preto e marrom. N\u00e3o ultrapassa 45 cent\u00edmetros e seu peso n\u00e3o chega a 4 quilos. As f\u00eameas t\u00eam apenas um filhote por vez, que \u00e9 gestado de 5 a 6 meses.<\/p>\n<p>No seio familiar natural, o macaco-prego constr\u00f3i la\u00e7os e cultura. Uma sociedade, n\u00e3o como vemos nos filmes de fic\u00e7\u00e3o, mas com h\u00e1bitos, apegos e comportamentos pertinentes ao modo de vida dos primatas n\u00e3o humanos na floresta.<\/p>\n<p>Foi na natureza que a vida de Chico come\u00e7ou. Hoje, por\u00e9m, a imagem dele s\u00f3 \u00e9 lembrada no universo digital, vestido com tutu, toquinha de beb\u00ea e montado em um triciclo. Foi transformado em figurinha de WhatsApp, virou estrela de Reels no Instagram, protagonista de stories de \u2018pais de pet\u2019 no TikTok que querem agradar seus seguidores.<\/p>\n<p>Ele vive agora para entreter outra esp\u00e9cie.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1672\" aria-describedby=\"caption-attachment-1672\" style=\"width: 576px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1672 size-large\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/196-Sem-Ti\u0301tulo_20241213131442-576x768.jpg\" alt=\"\" width=\"576\" height=\"768\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1672\" class=\"wp-caption-text\">Arte: Ana Beatriz\/ @betrizart<\/figcaption><\/figure>\n<p>Capturado, traficado, longe de casa e sem fam\u00edlia, Chico vive confinado e sob a lente feroz da c\u00e2mera que capta seus movimentos abobalhados e artificialmente coreografados no triciclo. Voc\u00ea j\u00e1 pode imaginar o \u201cPOV: vc tem um macaco de estima\u00e7\u00e3o\u201d no TikTok. O predador, agora, \u00e9 outro. Sem garras e presas, mas sedento por notifica\u00e7\u00f5es sobre o macaco-prego Chico na tela do celular.<\/p>\n<h2>Venda e compra de animais nas redes<\/h2>\n<p>Quem me ajuda a fazer esse paralelo entre as redes sociais, tr\u00e1fico ilegal e a hist\u00f3ria do Chico s\u00e3o Cristina Harumi e Samuel Nunes, respectivamente, coordenadora de fauna e educador ambiental da Mata Ciliar, ONG dedicada \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o da flora e fauna em Jundia\u00ed.<\/p>\n<p>E l\u00e1 que Chico vive hoje em dia.<\/p>\n<p>Chico tem por volta de 11 anos de idade. Um jovem adulto para os padr\u00f5es dos primatas. No entanto, Cristina e Samuel me contam que ele foi sequestrado ainda na inf\u00e2ncia, por volta do primeiro ano de vida.<\/p>\n<p>\u201cDeve ter tido a m\u00e3e assassinada, os demais membros do grupo divididos durante a fuga, ou se raptados, traficados. Foi resgatado com 7 anos aproximadamente\u201d, conta a coordenadora de fauna da Mata Ciliar. \u201cEle chegou obeso, com movimentos repetitivos, como se fosse \u201ctics\u201d, muito comum de animais confinados e que vivem na presen\u00e7a de pessoas. Foi traficado para virar \u2018pet\u2019. Isso \u00e9 certeza\u201d, completa.<\/p>\n<p>Chico foi encaminhado ao centro de prote\u00e7\u00e3o de animais silvestres, ali, em Jundia\u00ed, por meio da a\u00e7\u00e3o dos Guardas Ambientais da cidade, em 2020, em plena pandemia. Os entrevistados contam que ele foi abandonado em uma caixa pr\u00f3ximo a um bairro, e a guarda foi acionada para fazer o resgate.<\/p>\n<p>Existe algum motivo? \u201c\u00c9 dif\u00edcil afirmar, mas deve ter sido porque come\u00e7a a dar trabalho, medo da pol\u00edcia apreender, multar. Enfim, as causas do abandono s\u00e3o sempre variadas, mas acreditamos que \u00e9 porque cresce e n\u00e3o tem mais aquele comportamento fofinho que as pessoas gostam. Eles ficam mais en\u00e9rgicos e bagunceiros, igual aos adolescentes. Dif\u00edceis de controlar\u201d, diz Samuel.<\/p>\n<p>Ao falar das redes sociais, em particular, o Facebook, a coordenadora destaca que a venda e compra illegal de animais como Chico foram facilitadas por esses meios. Cristina diz que trata-se de um ecossistema online. \u201cVoc\u00ea tem as redes que n\u00e3o t\u00eam mecanismos adequados, algu\u00e9m que cria um grupo [no Facebook], publica as fotos dos animais, coloca valor e, pronto, o neg\u00f3cio \u00e9 feito. O envio pode ser por Correios \u2013 Sedex \u2013 ou, at\u00e9 mesmo, por encontro para entrega do animal\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1410\" aria-describedby=\"caption-attachment-1410\" style=\"width: 747px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1410 size-large\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Design-sem-nome-32-768x768.jpg\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"747\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1410\" class=\"wp-caption-text\">Usu\u00e1rios interagem no grupo do Facebook &#8220;Macaco- Prego&#8221; de compra e venda de macacos no Brasil. Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Facebook<\/figcaption><\/figure>\n<p>No caso de Chico, sua venda e compra devem ter sido feitas pelo Facebook e o transporte em uma gaiola, com um ponto de entrega. \u201cMuito comum para animais de sua esp\u00e9cie, aqui, no Brasil\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1402\" aria-describedby=\"caption-attachment-1402\" style=\"width: 747px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1402 size-large\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Design-sem-nome-31-768x768.jpg\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"747\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1402\" class=\"wp-caption-text\">Grupo do Facebook \u201cMacaco-prego\u201d para venda e compra de macacos. Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Facebook<\/figcaption><\/figure>\n<p>Esse cen\u00e1rio, conforme Samuel, tem como uma de suas causas \u201ca exposi\u00e7\u00e3o sem filtro a torto e direito dos animais, que, muitas vezes, cria um apelo visual que atrai compradores\u201d. Ele pontua que o fato de um animal silvestre como o Chico estar em um contexto dom\u00e9stico, infantilizado, vestido com roupinhas ou em situa\u00e7\u00f5es engra\u00e7adas, desperta \u201caquela curiosidade: \u2018poxa, olha que legal\u2019, \u2018fofinho\u2019, \u2018vai ser um bom companheiro\u2019. A partir da\u00ed, vem aquele desejo de posse do animal e a\u00ed, voc\u00ea j\u00e1 viu\u201d.<\/p>\n<p>Sobre as t\u00e1ticas de ca\u00e7a, elas podem ser variadas. \u201cPode ser por meio da viol\u00eancia. Mas eles podem usar tamb\u00e9m de armadilhas ou tranquilizantes em frutas que deixam para dopar os animais\u201d,\u00a0 exemplifica Cristina.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1403\" aria-describedby=\"caption-attachment-1403\" style=\"width: 791px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1403 size-full\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG3.png\" alt=\"\" width=\"791\" height=\"521\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1403\" class=\"wp-caption-text\">Macaco com acess\u00f3rios infantis para conte\u00fados nas redes sociais. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/SMACC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Mas s\u00f3 os filhotes tem valor no mercado ilegal? \u201cQuanto mais jovem, melhor. Pegar uma f\u00eamea adulta, impediria que ela tivesse novos filhotes para o tr\u00e1fico. Pegar um macho-alfa estabelecido seria mais dif\u00edcil para traficar e manter em cativeiro, domesticar. Ent\u00e3o a resposta \u00e9 relativa nesse sentido, porque depende de quem t\u00e1 na ponta comprando esse animal\u201d, adiciona Samuel.<\/p>\n<h2>Abusos que voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea<\/h2>\n<p>O caso da explora\u00e7\u00e3o de Chico nas redes sociais se conecta com um problema global mais profundo: os maus-tratos n\u00e3o aparentes de animais nas redes.<\/p>\n<p>Embora as imagens de primatas vestidos com roupinhas ou realizando atividades humanas pare\u00e7am inofensivas, elas mascaram o sofrimento real dos animais.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio \u201cA crueldade que voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea: O sofrimento de macacos nas redes sociais\u201d, da Coaliz\u00e3o de Crueldade Animal nas Redes Sociais, aponta que, entre setembro de 2021 e mar\u00e7o de 2023, mais de 1,2 mil links publicados no Facebook, Instagram, TikTok e YouTube exibiram primatas de diferentes esp\u00e9cies como animais de estima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Conforme a entidade, esses conte\u00fados, embora apresentem animais em uma situa\u00e7\u00e3o fofa e domesticada, frequentemente envolvem abusos disfar\u00e7ados, como estresse psicol\u00f3gico, les\u00f5es f\u00edsicas e at\u00e9 o risco real de morte. O relat\u00f3rio revela que 13% dos v\u00eddeos analisados indicaram tortura psicol\u00f3gica, 12% abuso f\u00edsico e 60% sofrimento f\u00edsico expl\u00edcito.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1404\" aria-describedby=\"caption-attachment-1404\" style=\"width: 837px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1404 size-full\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG4.png\" alt=\"\" width=\"837\" height=\"473\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1404\" class=\"wp-caption-text\">Macacos com acess\u00f3rios infantis. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/SMACC<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para exemplificar melhor a tortura piscol\u00f3gica e sofrimento f\u00edsico que os primatas s\u00e3o submetidos, imagine um v\u00eddeo em que um macaco do tamanho de Chico \u2013 45 cent\u00edmetros \u2013 aparece com seu bra\u00e7o preso \u00e0 boca de um peixe, ou pior, \u00e0 boca de um crocodilo, tentando por instinto sair dessa situa\u00e7\u00e3o de \u201crisco de vida\u201d, como se a qualquer momento pudesse ser engolido vivo ou dilacerado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De imediato, um v\u00eddeo muito curioso e que chama a aten\u00e7\u00e3o. No entanto, se observarmos mais a fundo, tanto o peixe como o crocodilo est\u00e3o mortos e o macaco foi colocado naquela situa\u00e7\u00e3o encenada apenas para agu\u00e7ar a curiosidade sobre o conte\u00fado.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1405\" aria-describedby=\"caption-attachment-1405\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1405 size-full\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/unnamed-1.png\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"264\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1405\" class=\"wp-caption-text\">Macacos durante resgate ensaiado. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/SMACC<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Busca por engajamento<\/h2>\n<p>Vitor Filiputti, bi\u00f3logo e produtor de conte\u00fado educacional sobre fauna e flora no canal Pido Biologia, que soma milhares de seguidores nas redes sociais, explica porque conte\u00fados desse tipo geram tanto engajamento.<\/p>\n<p>Para ele, \u201cos criadores de conte\u00fado sabem que o drama, especialmente envolvendo animais como macacos \u2013 que s\u00e3o mais expressivos \u2013, atrai muita aten\u00e7\u00e3o. Mas o que as pessoas n\u00e3o sabem \u00e9 que muitas dessas situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o artificiais&#8221;.<\/p>\n<p>Essa tend\u00eancia de criar situa\u00e7\u00f5es falsas para viralizar, conforme Filiputti, tem se espalhado rapidamente, com grandes implica\u00e7\u00f5es para a percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica sobre o trato com os animais. \u201cInfelizmente, quando um v\u00eddeo como esse come\u00e7a a viralizar, outros come\u00e7am a buscar maneiras de replicar o formato, muitas vezes intensificando o sofrimento de outros animais\u201d, acrescenta.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1406\" aria-describedby=\"caption-attachment-1406\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1406 size-full\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/unnamed-1-1.png\" alt=\"\" width=\"630\" height=\"393\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1406\" class=\"wp-caption-text\">Macaco durante resgate ensaiado. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/SMACC<\/figcaption><\/figure>\n<p>No entanto, ao observar mais a fundo, os conte\u00fados \u201cfofinhos\u201d com animais s\u00e3o os que mais geram engajamento nas redes sociais. \u00c9 o que aponta o estudo \u201cLucrando com a crueldade: criadores de conte\u00fado digital abusam de animais em todo o mundo para obter lucro\u201d, publicado na revista Biological Conservation, liderado pelo brasileiro Ant\u00f4nio de Carvalho, bi\u00f3logo e especialista sobre tr\u00e1fico de animais silvestres na WCS.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;O p\u00fablico est\u00e1 mais disposto a compartilhar cenas de araras vivendo em casas ou de macacos brincando em ambientes dom\u00e9sticos do que de animais sendo brutalmente ca\u00e7ados ou mortos&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Para a Babel, ele aponta que v\u00eddeos que mostram animais silvestres no geral como pet s\u00e3o especialmente lucrativos, justamente, porque exploram a &#8220;fofura&#8221; e a falsa impress\u00e3o de cuidado. \u201cO p\u00fablico est\u00e1 mais disposto a compartilhar cenas de araras vivendo em casas ou de macacos brincando em ambientes dom\u00e9sticos do que de animais sendo brutalmente ca\u00e7ados ou mortos\u201d, explica.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1407\" aria-describedby=\"caption-attachment-1407\" style=\"width: 473px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1407 size-full\" src=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/unnamed-2.png\" alt=\"\" width=\"473\" height=\"463\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1407\" class=\"wp-caption-text\">Macaco com adere\u00e7os humanos e unha pintada. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/SMACC<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dados da an\u00e1lise de abril de 2022 a agosto de 2023 liderada por Carvalho mostram que os criadores de conte\u00fado digital com animais lucraram cerca de US$ 1,14 milh\u00e3o (aproximadamente R$ 5,7 milh\u00f5es) exibindo cenas de primatas, aves e outros animais silvestres em cen\u00e1rios dom\u00e9sticos ou em intera\u00e7\u00f5es artificiais\/ensaiadas no habitat natural do animal.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c\u00c9 o tipo de conte\u00fado que gera mais renda para os donos dos canais, porque \u00e9 menos perturbador para o p\u00fablico e tem maior apelo emocional, apesar de mascarar pr\u00e1ticas abusivas e ilegais\u201d, completa o pesquisador. Em contrapartida, v\u00eddeos que mostram explicitamente crueldade \u2013 como ca\u00e7adas violentas ou maus-tratos \u2013 tendem a gerar \u201cojeriza\u201d, nas palavras de Ant\u00f4nio, sendo menos compartilhados e, consequentemente, menos rent\u00e1veis.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b>Jornada interrompida<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Chico \u00e9 natural da Mata Atl\u00e2ntica que rodeia a cidade de Jundia\u00ed, regi\u00e3o metropolitana da cidade de S\u00e3o Paulo. Possivelmente, sua fam\u00edlia era constitu\u00edda por at\u00e9 oito membros, mas os grupos de sua esp\u00e9cie podem chegar a at\u00e9 30 integrantes. A maturidade sexual desses animais \u00e9 alcan\u00e7ada com 5 anos de idade, e os machos s\u00f3 se reproduzem quando asseguram posi\u00e7\u00f5es elevadas na hierarquia do grupo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ele foi sequestrado ainda pequenino, agarrado \u00e0 m\u00e3e e totalmente dependente do seu leite. Nessa fase, estava em pleno aprendizado sobre a vida na floresta: onde encontrar alimentos, os melhores lugares para dormir e como se proteger dos predadores.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas teve a sua jornada de aprendizado interrompida. Foi raptado, traficado e criado como pet.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sua hist\u00f3ria n\u00e3o tem um final t\u00e3o fofo como os stories do Instagram ou TikTok. Ele viver\u00e1 o resto de sua vida sob os cuidados da ONG Mata Ciliar, recebendo aten\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o, mas sem a possibilidade de voltar \u00e0 vida na Mata Atl\u00e2ntica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sua hist\u00f3ria \u00e9 um lembrete de que cada curtida ou compartilhamento nas redes pode alimentar um sistema que reduz a fauna silvestre a ferramentas de entretenimento e lucro de um mercado que n\u00e3o voc\u00ea v\u00ea. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foi na natureza que a vida de Chico come\u00e7ou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>Colabora\u00e7\u00e3o:<\/strong> Renan Carletti, psicol\u00f3go e professor na FAAP e FAM<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Conte\u00fados supostamente fofinhos escondem sequestros, maus tratos, abusos, mortes e podem incentivar o tr\u00e1fico da fauna silvestre\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=1350\"> <\/a>","protected":false},"author":170,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[441],"tags":[490,489,24,43,488,491,30,46],"class_list":["post-1350","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-babel-2024-ed-dezembro","tag-crueldade-animal-online","tag-exploracao-animal","tag-facebook","tag-instagram","tag-macaco-prego","tag-macacos-fofos","tag-redes-sociais","tag-tik-tok"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O que a hist\u00f3ria de um macaco-prego explica sobre explora\u00e7\u00e3o animal nas redes - Revista Babel<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Conte\u00fados supostamente fofinhos escondem sequestros, maus tratos, abusos, mortes e podem incentivar o tr\u00e1fico da fauna silvestre\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=1350\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O que a hist\u00f3ria de um macaco-prego explica sobre explora\u00e7\u00e3o animal nas redes - Revista Babel\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Conte\u00fados supostamente fofinhos escondem sequestros, maus tratos, abusos, mortes e podem incentivar o tr\u00e1fico da fauna silvestre\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=1350\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Revista Babel\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2024-12-05T19:38:21+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2024-12-14T17:45:14+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Design-sem-nome-32-768x768.jpg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Mateus Cerqueira\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Mateus Cerqueira\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"12 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=1350#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=1350\"},\"author\":{\"name\":\"Mateus Cerqueira\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/e8d268788d39df7466d50700527b048c\"},\"headline\":\"O que a hist\u00f3ria de um macaco-prego explica sobre explora\u00e7\u00e3o animal nas redes\",\"datePublished\":\"2024-12-05T19:38:21+00:00\",\"dateModified\":\"2024-12-14T17:45:14+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=1350\"},\"wordCount\":1960,\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=1350#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/babel.webhostusp.sti.usp.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/12\\\/Design-sem-nome-32-768x768.jpg\",\"keywords\":[\"crueldade animal online\",\"explora\u00e7\u00e3o animal\",\"facebook\",\"instagram\",\"macaco-prego\",\"macacos fofos\",\"redes sociais\",\"tik tok\"],\"articleSection\":[\"Babel 2024 - Ed. 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