{"id":2413,"date":"2026-07-27T10:21:12","date_gmt":"2026-07-27T13:21:12","guid":{"rendered":"https:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=2413"},"modified":"2026-11-03T19:44:47","modified_gmt":"2026-11-03T19:44:47","slug":"voce-fala-po-%c9%be-ta-ou-po-%c9%bb-ta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=2413","title":{"rendered":"Voc\u00ea fala po[ \u027e ]ta ou po[ \u027b ]ta?"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">De leste a oeste da cidade, seja na Zona Norte, na Sul ou no centro, cada paulistano tem seu jeito de falar. Mas o que realmente diferencia os sotaques de S\u00e3o Paulo?<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>Por <\/strong>Julia Alencar<\/p>\n<p><strong>Capa por <\/strong>Beatriz Garcia<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu voltava pra Bras\u00edlia e come\u00e7ava a me adaptar mais ao sotaque brasiliense do que jamais fiz quando realmente morava l\u00e1. Virava uma chavinha na minha cabe\u00e7a, por saudade de casa ou por esse momento de reencontro com o c\u00edrculo social que eu tinha deixado ali em Bras\u00edlia, para me fazer sentir mais pr\u00f3ximo deles novamente eu come\u00e7ava inconscientemente a falar mais parecido com eles.\u201d Filho de paulistanos, Artur Correa nasceu e cresceu em Bras\u00edlia, mas se mudou para a cidade de S\u00e3o Paulo j\u00e1 adulto, h\u00e1 quatro anos. O brasiliense pontua que, ainda que estivesse acostumado a escutar o portugu\u00eas paulistano em casa, morar na cidade \u00e9 uma experi\u00eancia completamente diferente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para os nativos, convidar a Ju, a Pa, a Ma, a Lo, o Be, o Pe, o Mu e a L\u00ea n\u00e3o soa esquisito. Mas para quem vem de fora, os apelidos monossil\u00e1bicos s\u00e3o motivo de estranhamento e, muitas vezes, de piadas na internet e fora dela. \u201cEmbora por causa de alguns familiares eu tamb\u00e9m acabe usando esses apelidos monossil\u00e1bicos, eu mantenho o costume de dar alguns apelidos mais longos, botar um aumentativo, um diminutivo, em vez de simplesmente encurtar para uma coisa s\u00f3. E tem alguns encurtamentos que eu me recuso a fazer, eu acho muito esquisito, para mim n\u00e3o faz sentido nenhum\u201d, brinca Correa ao explicar que, por mais que j\u00e1 tenha incorporado muito do sotaque paulistano, h\u00e1 marcas do sotaque brasiliense que faz quest\u00e3o de preservar. Mas quando dizemos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">sotaque paulistano<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, do que exatamente estamos falando?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim como a cidade \u00e9 composta por uma s\u00e9rie de culturas \u2013 e tamb\u00e9m por conta disso \u2013 o sotaque paulistano n\u00e3o assume uma \u00fanica forma, variando n\u00e3o apenas de regi\u00e3o para regi\u00e3o, mas de indiv\u00edduo para indiv\u00edduo, conforme explica L\u00edvia Oushiro, professora doutora no Departamento de Lingu\u00edstica da Universidade de S\u00e3o Paulo: \u201cSe a gente pensar numa cidade t\u00e3o diversa como S\u00e3o Paulo, \u00e9 claro que a gente vai ter diferentes sotaques, tanto por conta da migra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m por conta de diferencia\u00e7\u00e3o social. A gente acaba falando mais parecido do modo como outras pessoas com quem a gente convive falam\u201d. Oushiro acrescenta que, para al\u00e9m do conv\u00edvio, o contato virtual com outros grupos sociais tamb\u00e9m influencia na forma com que a fala se desenvolve. Antes mesmo da internet, TV e r\u00e1dio foram vetores importantes para a difus\u00e3o de tra\u00e7os lingu\u00edsticos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A professora ainda refor\u00e7a que, apesar de n\u00e3o existirem estudos formais que determinem a origem exata do sotaque paulistano e onde come\u00e7a e onde termina cada uma de suas varia\u00e7\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel encontrar caracter\u00edsticas comuns a elas. \u201cO que a gente tem, com certeza, \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de mistura de l\u00ednguas e de dialetos, influ\u00eancias ind\u00edgenas, africanas, portuguesas, do espanhol, do italiano, do \u00e1rabe, de todos os grupos que vieram com a invas\u00e3o europeia. H\u00e1 tamb\u00e9m influ\u00eancia da migra\u00e7\u00e3o interna, principalmente de nordestinos, que intensificaram seu fluxo migrat\u00f3rio a partir da d\u00e9cada de 50\u201d. Mesmo sem defini\u00e7\u00f5es formais, h\u00e1 caracter\u00edsticas mais proeminentes em algumas regi\u00f5es da cidade \u2014 como o R da regi\u00e3o leste ou o R da regi\u00e3o sul \u2014 que s\u00e3o facilmente identificados n\u00e3o apenas por quem \u00e9 de fora, mas pelos pr\u00f3prios moradores da cidade: \u201cAs diferen\u00e7as regionais de cada zona da cidade foram algo que eu s\u00f3 percebi de fato quando eu vim em definitivo\u201d, complementa Correa.<\/span><\/p>\n<p><b>Porta, porteira, port\u00e3o<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma das marcas mais identific\u00e1veis e caracter\u00edsticas do sotaque paulistano \u00e9 a forma como pronunciamos o R: retroflexo [\u027b], o famoso \u201cR caipira\u201d, mais comum na periferia e na Zona Sul da cidade; ou tepe [\u027e], frequentemente associado \u00e0 Zona Leste e ao estere\u00f3tipo dos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">faria limers <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u2014 os frequentadores da Avenida Faria Lima, constantemente transformados em meme na internet. Oushiro explica que, apesar de mais caracter\u00edsticos de uma regi\u00e3o ou outra, todos os paulistanos acabam por utilizar as duas formas do R, e a verdadeira diferencia\u00e7\u00e3o est\u00e1 na frequ\u00eancia com que cada uso ocorre. Al\u00e9m de caracter\u00edstica regional, o R tamb\u00e9m \u00e9 um marcador de classe no subconsciente paulistano. \u201cSe a gente pensar numa pessoa do movimento hip-hop, que \u00e9 da periferia \u2014 o Mano Brown por exemplo \u2014 dificilmente voc\u00ea vai imaginar ele falando a palavra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">certo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> com R tepe. Mesmo que n\u00e3o seja consciente, as pessoas associam esse contexto geogr\u00e1fico a certas classes sociais\u201d, exemplifica a professora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O R retroflexo, al\u00e9m de ser estigmatizado por estar associado \u00e0 periferia da cidade, tamb\u00e9m \u00e9 ligado ao interior do estado e, conforme Oushiro e seus colegas observaram em pesquisas recentes, a filhos de imigrantes nordestinos. \u201cUma interpreta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 que os nordestinos v\u00eam para S\u00e3o Paulo e sofrem muito preconceito por uma s\u00e9rie de quest\u00f5es. Mesmo quem n\u00e3o \u00e9 de classe baixa sofre preconceito por conta do sotaque. S\u00f3 que como muitos desses migrantes vieram para trabalhar em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e se fixaram na periferia, tamb\u00e9m tiveram contato com outros migrantes: do interior de S\u00e3o Paulo, do sul de Minas, do Norte, do Paran\u00e1, e provavelmente reinterpretam que esse R retroflexo era o R local. \u2018\u00c9 assim que se fala em S\u00e3o Paulo\u2019\u201d, explica, refor\u00e7ando que, apesar de essa ser uma possibilidade de interpreta\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o, a l\u00edngua \u00e9 muito mais viva e male\u00e1vel. \u201cCertamente n\u00e3o \u00e9 uma coisa s\u00f3 que fez com que chegassem nessa configura\u00e7\u00e3o [da linguagem]. A l\u00edngua nunca para de mudar\u201d. Maria Eug\u00eania Martins Barcellos, professora no Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia do Esp\u00edrito Santo (IFES), complementa a fala de Oushiro, pontuando que recentemente os jovens perif\u00e9ricos v\u00eam ressignificando o retroflexo, colocando-o como uma marca local de prest\u00edgio e valorizando esse aspecto do sotaque.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para al\u00e9m do aspecto social, Barcellos aponta tamb\u00e9m uma explica\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica para a ado\u00e7\u00e3o do retroflexo pelos filhos de imigrantes nordestinos: \u201cNa quest\u00e3o de pron\u00fancia, h\u00e1 uma similaridade nos pontos de articula\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria l\u00edngua entre o R retroflexo paulistano e o R fricativo do nordeste\u201d, o que facilita e torna mais intuitiva a ado\u00e7\u00e3o do retroflexo em detrimento do tepe.<\/span><\/p>\n<p><b>Entende(i)ndo, apartame(i)nto<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de ser o mais facilmente identific\u00e1vel, o R n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico tra\u00e7o que marca o sotaque paulistano. Um tra\u00e7o caracter\u00edstico e constantemente estereotipado \u00e9 a ditonga\u00e7\u00e3o do \u201cE nasal\u201d \u2014 processo em que uma vogal ganha uma semivogal (i ou u) na mesma s\u00edlaba \u2014 em palavras como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">apartamento, fazenda <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">e<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> entendendo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, que passam a ser pronunciadas como se houvesse um \u201ci\u201d ap\u00f3s o \u201ce\u201d. Oushiro explica que, quando algu\u00e9m de fora ouve uma dessas palavras, consegue identificar que se trata de um paulistano falando-as. No entanto, \u201ca maioria dos participantes [da pesquisa] n\u00e3o conseguia apontar o dedo para a caracter\u00edstica da palavra que fazia com que conseguissem reconhecer a pron\u00fancia paulistana\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outro tra\u00e7o comum ao sotaque paulistano, frequentemente associado \u00e0 regi\u00e3o central, \u00e9 a nasaliza\u00e7\u00e3o das vogais \u2014 como observado, por exemplo, em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Juliana<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (que soa como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">juli\u00e3na<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">) ou na g\u00edria <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">mano<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (que soa como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">m\u00e3no<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">). Barcellos, que pesquisou especificamente a ocorr\u00eancia dessa nasaliza\u00e7\u00e3o na cidade, teoriza que essa tend\u00eancia decorre da influ\u00eancia italiana. \u201cBairros como a Mooca receberam muito a popula\u00e7\u00e3o italiana, que veio trabalhar como oper\u00e1ria aqui no nosso pa\u00eds, n\u00e9? Nosso portugu\u00eas j\u00e1 \u00e9 um pouco mais anasalado, e no italiano n\u00e3o h\u00e1 vogais nasais. Ent\u00e3o, na tentativa\u00a0 de criar uma vogal que n\u00e3o existe na sua l\u00edngua materna, surge essa pron\u00fancia diferenciada, saliente aos ouvidos\u201d, explica. Barcellos e Oushiro refor\u00e7am, por\u00e9m, que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar com certeza a origem de cada um dos tra\u00e7os da nossa l\u00edngua, por estar em constante mudan\u00e7a e sofrer influ\u00eancia de diversos fatores sociais, regionais e at\u00e9 mesmo individuais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO que a gente sabe \u00e9 que numa primeira inf\u00e2ncia, a influ\u00eancia dos pais \u00e9 maior. Ent\u00e3o a crian\u00e7a vai aprender a falar do mesmo modo ou de um modo parecido com o que os pais falam. Mas a partir de uma certa idade, j\u00e1 quando a crian\u00e7a come\u00e7a a frequentar a escola, a influ\u00eancia dos pares, dos colegas ou adolescentes da mesma idade, \u00e9 muito maior. Ent\u00e3o, existe essa tens\u00e3o: pais ou pares. E no final das contas, quem vai ganhar esse bra\u00e7o de ferro s\u00e3o os pares\u201d, comenta a professora da USP, reiterando que fatores como rede de contato, local de resid\u00eancia, classe social e tempo de conv\u00edvio tamb\u00e9m influenciam na constru\u00e7\u00e3o do sotaque de cada indiv\u00edduo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com tantos fatores externos podendo influenciar a forma como cada paulistano fala, \u00e9 importante notar a influ\u00eancia que as redes sociais v\u00eam exercendo nesse processo. Barcellos aponta o papel que as redes sociais tiveram na difus\u00e3o do sotaque paulistano para al\u00e9m da cidade, como \u00e9 o caso da criadora de conte\u00fado <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/jedinizm\/?hl=en\"><span style=\"font-weight: 400;\">Jessica Diniz<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e sua personagem <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ameindaoficial\/?hl=en\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ameinda<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. \u201cLendo os coment\u00e1rios no perfil da Ameinda, d\u00e1 para ver que as pessoas entendem que aquilo \u00e9 uma s\u00e1tira ao paulistano mesmo que n\u00e3o seja dito explicitamente pela criadora. Esse humor \u00e9 constru\u00eddo em cima de certos estere\u00f3tipos, ent\u00e3o nesse sentido \u00e9 preciso tomar cuidado\u201d, complementa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Da mesma forma que as redes sociais e internet auxiliam na populariza\u00e7\u00e3o do sotaque paulistano no restante do pa\u00eds, elas tamb\u00e9m permitem o acesso a diferentes culturas e formas de falar, adicionando aos fatores que influenciam o padr\u00e3o de fala dos paulistanos. Oushiro menciona uma pesquisa com adolescentes que evidenciou que os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">gamers<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2014 ou seja, aqueles que jogam jogos no computador e consequentemente t\u00eam acesso a outras culturas e l\u00ednguas \u2014 usavam muito mais anglicismos do que outros adolescentes. \u201cImportar palavras de outro idioma ou dialeto \u00e9 uma das coisas mais f\u00e1ceis de se pegar, tanto que j\u00e1 temos v\u00e1rias palavras no portugu\u00eas que s\u00e3o importadas \u2013 como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">delivery<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">bike, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">e tamb\u00e9m palavras espec\u00edficas para algumas \u00e1reas, como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">briefing <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">e<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> case\u201d.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> O fen\u00f4meno dos anglicismos pontuado pela pesquisadora j\u00e1 \u00e9 muito observado na cidade de S\u00e3o Paulo, frequentemente utilizado como artif\u00edcio nas s\u00e1tiras ao <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">faria limer<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> e ao <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">paulistano m\u00e9dio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2014 como \u00e9 o caso da Ameinda. \u201cAgora, pegar um tra\u00e7o fon\u00e9tico, por exemplo, de pron\u00fancia ou alguma coisa que v\u00e1 mais direto na gram\u00e1tica \u00e9 mais dif\u00edcil\u201d, explica Oushiro. Nesse sentido, especialistas ainda s\u00e3o c\u00e9ticos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 influ\u00eancia das redes sociais na l\u00edngua portuguesa a longo prazo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O sotaque paulistano, assim como todos os outros, n\u00e3o pode ser classificado de forma r\u00edgida, ou associado exclusivamente a uma zona espec\u00edfica da cidade ou a um grupo social. A cidade \u00e9 plural, viva, composta de diversas culturas, e isso se reflete no modo de falar de seus habitantes. Apesar da saudade de casa, Artur j\u00e1 percebe a cidade e seus sotaques como um nativo: \u201cAs pessoas confundem as coisas, \u00e0s vezes acham que o sotaque do interior \u00e9 o que se fala na cidade inteira, \u00e0s vezes acham que o meu sotaque \u00e9 o que se fala na cidade inteira, ou que certo sotaque estereotipado \u00e9 mais comum. Mas quando voc\u00ea t\u00e1 na cidade, convivendo com as pessoas no dia a dia, voc\u00ea v\u00ea que existem milhares de possibilidades, milhares de ra\u00edzes para esses sotaques, e acho que isso talvez seja o que tenha de mais legal quando voc\u00ea pensa em sotaque e S\u00e3o Paulo.\u201d<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"De leste a oeste da cidade, seja na Zona Norte, na Sul ou no centro, cada paulistano tem seu jeito de falar; descubra o que realmente diferencia os sotaques de S\u00e3o Paulo &#8211; Por Julia Alencar\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=2413\"> <\/a>","protected":false},"author":231,"featured_media":3191,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[732,282],"tags":[782,785,787,780,131,725,786],"class_list":["post-2413","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-babel-2026-ed-julho","category-posts-principais","tag-cidade","tag-julia-alencar","tag-linguistica","tag-renan-affonso","tag-sao-paulo","tag-sociedade-comportamento","tag-sotaques"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Voc\u00ea fala po[ \u027e ]ta ou po[ \u027b ]ta? - Revista Babel<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"De leste a oeste da cidade, seja na Zona Norte, na Sul ou no centro, cada paulistano tem seu jeito de falar; descubra o que realmente diferencia os sotaques de S\u00e3o Paulo\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=2413\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Voc\u00ea fala po[ \u027e ]ta ou po[ \u027b ]ta? - Revista Babel\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"De leste a oeste da cidade, seja na Zona Norte, na Sul ou no centro, cada paulistano tem seu jeito de falar; descubra o que realmente diferencia os sotaques de S\u00e3o Paulo\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=2413\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Revista Babel\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2026-07-27T13:21:12+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-11-03T19:44:47+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/capa-julia.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"750\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"440\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Revista Babel\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Revista Babel\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"11 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=2413#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=2413\"},\"author\":{\"name\":\"Revista Babel\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/22495aea32552e1be8f9a1e60577500a\"},\"headline\":\"Voc\u00ea fala po[ \u027e ]ta ou po[ \u027b ]ta?\",\"datePublished\":\"2026-07-27T13:21:12+00:00\",\"dateModified\":\"2026-11-03T19:44:47+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=2413\"},\"wordCount\":2045,\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=2413#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/07\\\/capa-julia.png\",\"keywords\":[\"Cidade\",\"Julia Alencar\",\"lingu\u00edstica\",\"Renan Affonso\",\"s\u00e3o paulo\",\"Sociedade &amp; Comportamento\",\"sotaques\"],\"articleSection\":[\"Babel 2026 - Ed. 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