{"id":356,"date":"2021-10-13T19:32:42","date_gmt":"2021-10-13T22:32:42","guid":{"rendered":"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=356"},"modified":"2021-10-13T19:32:43","modified_gmt":"2021-10-13T22:32:43","slug":"ginecologia-natural-empoderamento-feminino-ou-mistificacao-do-corpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=356","title":{"rendered":"Ginecologia natural: empoderamento feminino ou mistifica\u00e7\u00e3o do corpo?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria tinha apenas 11 anos quando desceu sua primeira menstrua\u00e7\u00e3o. Foi um grande susto, afinal, acabara de largar as bonecas e agora ouvia de todos que era \u201cmocinha\u201d. O sangue na calcinha tornava a menina algo que ela n\u00e3o queria ser \u2013 n\u00e3o t\u00e3o cedo. Aprendeu a odiar seu corpo e tudo que o acompanhava. Maria n\u00e3o nos deu entrevista. Na verdade, ela nem sequer existe; mas mora dentro de n\u00f3s, autoras desta reportagem, e de outras bilh\u00f5es de mulheres espalhadas pelo mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Logo ap\u00f3s a menarca, como \u00e9 chamada a primeira menstrua\u00e7\u00e3o, a garota deve aprender uma s\u00e9rie de coisas: como se lavar corretamente, qual absorvente usar, qual a roupa mais confort\u00e1vel e com menos risco de manchar durante este per\u00edodo, quais os rem\u00e9dios utilizados para c\u00f3lica e at\u00e9 mesmo como esquentar a bolsa de \u00e1gua quente para os dias mais complicados. Claro, o ciclo menstrual e tudo que integra a reprodu\u00e7\u00e3o humana \u00e9 ensinado nas salas de aula, mas nada se compara a vivenciar isso na pr\u00e1tica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra coisa que nem sempre se aprende na escola \u00e9 sobre a primeira consulta ginecol\u00f3gica. At\u00e9 ent\u00e3o, o m\u00e9dico considerado comum pela garota era o pediatra, que se dedica aos cuidados da crian\u00e7a e do adolescente. De repente, a menina est\u00e1 em uma sala com uma pessoa na maioria das vezes desconhecida e aparentemente (muito) enxerida: quando foi seu \u00faltimo ciclo? Tem casos de \u201cinsira aqui alguma doen\u00e7a\u201d na fam\u00edlia? Apresenta muito corrimento? J\u00e1 teve sua primeira rela\u00e7\u00e3o sexual?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pior vem depois, quando \u00e9 pedido para que a paciente abaixe as cal\u00e7as e levante a camiseta, permitindo que o m\u00e9dico realize os chamados exames de toque. Traum\u00e1tico? Para muitos sim, mas necess\u00e1rio para a sa\u00fade feminina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Infelizmente, nem todas as mulheres compreendem a import\u00e2ncia do acompanhamento ginecol\u00f3gico. Talvez por medo ou simplesmente por conveni\u00eancia, muitas t\u00eam procurado a internet para fazer queixas e procurar por respostas que seriam facilmente encontradas nos consult\u00f3rios. Dentro de um grupo privado no Facebook intitulado <em>Ginecologia<\/em> \u00e9 poss\u00edvel encontrar prints de exames como transvaginal, papanicolau e mamografias esperando pelo diagn\u00f3stico de outras usu\u00e1rias. Perguntas sobre gravidez, infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis e at\u00e9 medicamentos como anticoncepcionais e antif\u00fangicos tamb\u00e9m s\u00e3o encontradas no f\u00f3rum.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A situa\u00e7\u00e3o se repete na rede vizinha, o Instagram. A diferen\u00e7a \u00e9 que, por l\u00e1, as pessoas escolhem seguir uma \u201cmentora\u201d, que seria a dona da conta. Na rede, \u00e9 poss\u00edvel encontrar, inclusive, um segmento da ginecologia diferente daquele a que estamos acostumados: \u00e9 a dita ginecologia natural. Apesar de traduzir saberes ancestrais, a pr\u00e1tica se popularizou a pouco tempo. Como escreveu Heloisa Noronha em <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/universa\/noticias\/redacao\/2021\/05\/02\/ginecologia-natural-para-iniciantes-conheca-os-principais-fundamentos.htm\">reportagem para o UOL<\/a>, parte da relev\u00e2ncia conquistada na Am\u00e9rica Latina se deve ao lan\u00e7amento do livro &#8220;Manual de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Ginecologia Natural&#8221;, da chilena Pabla P\u00e9rez San Mart\u00edn, em 2015.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta terapia hol\u00edstica valoriza o autocuidado da mulher e sua rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3prio corpo, tratando n\u00e3o apenas sintomas, mas a <a href=\"https:\/\/www.curandeirasdesi.com.br\/ginecologia-natural2\/]\">paciente por completo<\/a>. Carolina Lana, monitora da p\u00e1gina @curandeirasdesi, conta durante uma chamada de v\u00eddeo que largou a faculdade de direito para seguir carreira na ginecologia natural. Hoje, possui 138 mil seguidores no Instagram e oferece cursos sobre a pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela explica que conheceu a modalidade devido ao seu per\u00edodo menstrual conturbado, com muitas c\u00f3licas, dores no corpo e uma TPM exacerbada. \u201cFoi em 2013 que eu encontrei um espa\u00e7o hol\u00edstico atrav\u00e9s do meu est\u00e1gio na \u00e9poca. Eu comecei as pr\u00e1ticas por l\u00e1 e comecei a fazer cursos, como o de fitoterapia. Eu quis me aprofundar e, de repente, eu j\u00e1 n\u00e3o me identificava mais com o direito.\u201d Carolina se tornou terapeuta hol\u00edstica, o que significa que trataria as pessoas n\u00e3o apenas considerando seus sintomas, mas sim todos seus aspectos f\u00edsicos, culturais, psicol\u00f3gicos e sociais. Logo depois, faria um curso voltado especificamente para a ginecologia natural, e logo criaria sua p\u00e1gina na internet.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A terapeuta conta que buscou por m\u00e9dicos na \u00e9poca, mas se sentiu incomodada pela insist\u00eancia deles em prescrever anticoncepcionais. Al\u00e9m disso, as consultas n\u00e3o eram satisfat\u00f3rias para Carolina: \u201cMuitas pessoas mandam mensagens falando sobre a falta de humaniza\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico. Elas dizem que sentem dores intensas e que o m\u00e9dico responde que \u00e9 exagero sem nem procurar saber o que est\u00e1 acontecendo ou investigar. Foi o que eu vivenciei na \u00e9poca. Das poucas vezes que eu precisei ir ao consult\u00f3rio e pelas mensagens que recebo, falta um pouco esse olho no olho, essa humaniza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da indica\u00e7\u00e3o excessiva de anticoncepcional.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi tamb\u00e9m por causa do anticoncepcional que Lissa Nascimento, moderadora da p\u00e1gina de Instagram @cuidobemdemim, chegou \u00e0 ginecologia natural. \u201cEu tomei anticoncepcional por doze anos. Ent\u00e3o, mais ou menos em 2015 ou 2016, come\u00e7ou a sair um boom de pesquisas sobre os efeitos nocivos da p\u00edlula. Antes, eu achava que n\u00e3o tinha perigo, mas comecei a ler bastante e resolvi parar. Eu queria fazer as coisas de uma forma natural e minimamente segura, ainda considerando relacionamentos \u2013 queria parar com o anticoncepcional, mas sem substituir por outro meio hormonal ou invasivo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lissa, mestre em servi\u00e7o social e at\u00e9 ent\u00e3o professora universit\u00e1ria, descobriu os cursos de ginecologia natural e resolveu adentr\u00e1-los. Estudou tamb\u00e9m Ayurveda, uma terapia milenar indiana, e se especializou em sa\u00fade da mulher e da crian\u00e7a. Hoje, aborda os temas nas redes sociais e se descreve como terapeuta hol\u00edstica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar das recomenda\u00e7\u00f5es de Lissa e Carolina nas redes sociais atra\u00edrem uma legi\u00e3o de adeptas, alguns fatores podem ser questionados do ponto de vista cient\u00edfico. A pr\u00e1tica da ginecologia natural n\u00e3o \u00e9 regulamentada e n\u00e3o h\u00e1 comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de seus benef\u00edcios para o corpo da mulher.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das t\u00e9cnicas popularizadas pela internet \u00e9 a vaporiza\u00e7\u00e3o do \u00fatero: neste procedimento, a pessoa faz uma mistura de ervas e \u00e1gua quente dentro de uma bacia e direciona aquele vapor para sua regi\u00e3o \u00edntima. De acordo com Lissa, o procedimento possibilita uma limpeza das mem\u00f3rias uterinas, as quais podem estar prejudicando a sa\u00fade f\u00edsica e mental da mulher sem que a mesma perceba. \u201c\u00c0s vezes voc\u00ea tem uma mem\u00f3ria no seu \u00fatero e nem sabe qual \u00e9, mas ela est\u00e1 provocando uma falta de lubrifica\u00e7\u00e3o, dores etc. A vaporiza\u00e7\u00e3o vai l\u00e1 e ajuda a liberar aquela mem\u00f3ria para que voc\u00ea tome consci\u00eancia e entenda o que est\u00e1 se passando. Por isso a ginecologia natural \u00e9 uma terapia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A terapeuta usa como exemplo a infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria. Adotemos agora outra personagem fict\u00edcia, chamada de Beatriz. Bia \u00e9 uma mulher empoderada, e vive h\u00e1 anos em um relacionamento saud\u00e1vel. Nada parece ruim em sua vida, mesmo assim, ela convive com dores constantes na bexiga e exames positivos para infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria. Beatriz acha que vive em uma rela\u00e7\u00e3o perfeita, mas talvez nutra algum tipo de raiva pelo marido, especialmente durante a rela\u00e7\u00e3o sexual. Lissa explica: &#8220;A infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria aponta muito para uma raiva do masculino. Talvez voc\u00ea tenha raiva de algo que seu companheiro faz, mas n\u00e3o consegue falar para ele ou j\u00e1 tentou e n\u00e3o funcionou. Voc\u00ea continua transando com raiva mesmo, as vezes at\u00e9 esqueceu que tem raiva daquilo, s\u00f3 que seu corpo n\u00e3o esqueceu.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caso tudo esteja realmente bem no relacionamento de Beatriz, outra poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o \u00e9&nbsp; que Bia carrega no \u00fatero uma s\u00e9rie de traumas de suas ancestrais. Lissa conta que, segundo a ginecologia natural, o \u00fatero abriga mem\u00f3rias de at\u00e9 sete gera\u00e7\u00f5es de mulheres. O que significa dizer, basicamente, que traumas sofridos por suas antepassadas h\u00e1 200 anos, e nunca resolvidos, poderiam refletir na sua sa\u00fade ginecol\u00f3gica e engatilhar condi\u00e7\u00f5es como candid\u00edase e infec\u00e7\u00f5es recorrentes, mesmo que voc\u00ea sequer tenha ouvido o nome da aparentada algum dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um passado nada amig\u00e1vel \u00e0s mulheres, talvez a av\u00f3 da trisav\u00f3 de Bia tenha sido estuprada por um homem influente, a tatarav\u00f3 foi for\u00e7ada a se casar com algu\u00e9m com o triplo de sua idade, sua av\u00f3 tenha sofrido um aborto violento ou at\u00e9 mesmo a sua m\u00e3e tenha vivido um relacionamento abusivo e nunca pudesse dizer n\u00e3o ao marido. Todas essas mem\u00f3rias, dizem as terapeutas, passariam para Bia atrav\u00e9s das paredes uterinas.\u201cSe eu n\u00e3o sofri um abuso, um estupro ou alguma coisa desse tipo, alguma ancestral minha sofreu\u201d, aponta Lissa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para ajudar mulheres a se livrar dessas mem\u00f3rias, Carolina, que tamb\u00e9m possui um canal no Telegram, organiza constantemente vaporiza\u00e7\u00f5es coletivas, em que seus seguidores podem acompanhar e seguir o processo por meio de uma transmiss\u00e3o ao vivo no YouTube. Pelo aplicativo de mensagens, a terapeuta passa os ingredientes a serem utilizados \u2013 como artem\u00edsia, dente de le\u00e3o e manjeric\u00e3o \u2013, programa o hor\u00e1rio e explica tamb\u00e9m as contraindica\u00e7\u00f5es, que inclui pessoas com endometriose, com ciclos longos e intensos ou que estejam pr\u00f3ximas da menstrua\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a vaporiza\u00e7\u00e3o intensifica o fluxo. Um escalda p\u00e9s \u00e9 sugerido como alternativa para que ningu\u00e9m fique de fora. Mas nem tudo s\u00e3o flores: \u00e9 necess\u00e1rio tomar cuidado para n\u00e3o sofrer queimaduras ao aplicar a t\u00e9cnica de maneira errada. As pr\u00f3prias terapeutas recomendam que todas as interven\u00e7\u00f5es sejam feitas de forma guiada, e n\u00e3o por conta pr\u00f3pria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se voc\u00ea acompanha o Twitter, talvez j\u00e1 tenha se deparado com outra pol\u00eamica relacionada \u00e0 ginecologia natural: o chamado OB de alho. Algumas mulheres chamaram aten\u00e7\u00e3o na internet ap\u00f3s exporem que estavam colocando peda\u00e7os do alimento na vagina. Lissa explica que o uso do alho tamb\u00e9m se encaixa em uma esp\u00e9cie de limpeza espiritual, ajudando a quebrar v\u00ednculos que n\u00e3o acrescentam na vida da pessoa. Al\u00e9m disso, o alimento possui potencial antif\u00fangico e antiinflamat\u00f3rio, e \u00e9 bastante conhecido por curandeiros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale deixar claro que a inser\u00e7\u00e3o do alimento na vagina pode causar queimaduras. A ginecologista Daniele Duarte, que tamb\u00e9m produz conte\u00fado cient\u00edfico em suas redes sociais (@danielec.duarte), afirma que \u201cna regi\u00e3o genital, menos \u00e9 mais\u201d. A m\u00e9dica explica: \u201ctudo que envolve introdu\u00e7\u00e3o de alimentos ou coisas do g\u00eanero, depila\u00e7\u00e3o, sabonete \u00edntimo, desodorante \u00edntimo, perfume \u00edntimo, eu sou contra. A gente n\u00e3o faz essas coisas na nossa boca ou no nosso nariz, mas a\u00ed a mulher precisa fazer tudo isso em sua regi\u00e3o \u00edntima?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar disso &#8211; ou talvez justamente por isso &#8211; Daniele considera a ginecologia natural uma coisa \u00f3tima: \u201cpassamos por uma fase em que, por exemplo, as p\u00edlulas eram enaltecidas. Entendo que isso faz parte da revolu\u00e7\u00e3o, da independ\u00eancia da mulher. Virou aquele m\u00e1ximo de que todo mundo tem que tomar p\u00edlula e a p\u00edlula \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para todos os problemas. E com esses movimentos de ginecologia natural,conseguimos ver cada vez mais pacientes no consult\u00f3rio falando, \u2018n\u00e3o, n\u00e3o quero tomar a p\u00edlula, me arrume outra coisa para tratar esse problema. Isso \u00e9 uma coisa boa, um movimento bom, de empoderamento da mulher na hora de fazer o cuidado feminino. Ent\u00e3o ela j\u00e1 vem na consulta propondo o que ela aceita e o que ela n\u00e3o aceita.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Consultamos tamb\u00e9m Juliany Nascimento, m\u00e9dica ginecologista e moderadora da p\u00e1gina de Instagram @ginecologistasincera. Ela n\u00e3o apoia o tratamento de problemas f\u00edsicos por parte das terapeutas. Acredita que a pr\u00e1tica possa ser utilizada como complemento, um tipo de tratamento emocional, mas n\u00e3o como um tratamento cl\u00ednico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu posso perguntar para uma mulher que est\u00e1 com endometriose se tem algum fator para que ela n\u00e3o queira ter filhos e dizer que, talvez, inconscientemente, ela esteja se auto sabotando. Mas eu sou obrigada a pedir um ultrassom transvaginal com mapeamento. E se ela tiver qualquer altera\u00e7\u00e3o intestinal, eu tenho que pedir uma pesquisa de sangue oculto, talvez uma colonoscopia. E se ela tiver sangue na urina, eu tenho que pedir uma cistoscopia porque ela pode ter uma invas\u00e3o de bexiga. Algum &#8216;ginecologista&#8217; emocional vai descartar uma invas\u00e3o de intestino?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As aspas usadas por Julianny na palavra ginecologista s\u00e3o propositais. Formada em medicina e adepta de uma ginecologia mais humanizada, mas pautada pelos princ\u00edpios da ci\u00eancia, ela aponta que chamar pessoas sem forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica de \u201cginecologistas naturais\u201d \u00e9 um erro. \u201cIsso para mim n\u00e3o passa de exerc\u00edcio ilegal de medicina.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00e9dica ainda tr\u00e1s um ponto importante para a discuss\u00e3o: por que apenas a sa\u00fade da mulher \u00e9 terceirizada a elementos m\u00edsticos e tratamentos sem comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica? O mais pr\u00f3ximo disso seria a homeopatia, que usa medicamentos naturais como tratamento, mas mesmo esta \u00e9 feita por um m\u00e9dico formado e \u00e9 reconhecida como uma especialidade da medicina em v\u00e1rias partes do mundo, inclusive no Brasil, justamente por aliar a fitoterapia com elementos cient\u00edficos. Por\u00e9m, vale ressaltar que a homeopatia, apesar de permitida, tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam comprova\u00e7\u00f5es cient\u00edficas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu duvido que algu\u00e9m com dor de cabe\u00e7a e sinais de alerta v\u00e1 procurar um neurologista qu\u00e2ntico ou um psic\u00f3logo para lidar com as emo\u00e7\u00f5es enquanto n\u00e3o consegue nem abrir o olho de dor. Tamb\u00e9m nunca vi um oftalmologista qu\u00e2ntico, cardiologista emocional, mas uma mulher com uma c\u00f3lica descomunal, que pode ser uma endometriose, uma infiltra\u00e7\u00e3o de bexiga, vai l\u00e1 fazer vaporiza\u00e7\u00e3o. A gente acha que est\u00e1 se empoderando e, na verdade, as mulheres est\u00e3o ficando desassistidas mais uma vez.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Juliany e Daniele foram brevemente citadas acima, mas vale conhecer um pouco mais sobre a hist\u00f3ria de ambas. Daniele possui forma\u00e7\u00e3o em medicina pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), onde tamb\u00e9m realizou suas duas resid\u00eancias, em ginecologia e obstetr\u00edcia e mastologia. A \u00faltima especializa\u00e7\u00e3o, inclusive, foi finalizada recentemente, em fevereiro deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Juliany \u00e9 formada em medicina pela Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES) e, em 2004, fez resid\u00eancia para se especializar em ginecologia e obstetr\u00edcia na Maternidade Carmela Dutra, em Florian\u00f3polis, onde ficou at\u00e9 2007. Em 2011, Juliany teve dois filhos, e conta que o parto foi traum\u00e1tico. Por conta disso, resolveu envolver-se com o parto humanizado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ginecologista conta que, em 2015, resolveu criar uma p\u00e1gina profissional nas redes sociais ap\u00f3s receber mensagens no Facebook de uma paciente em sua conta pessoal. O problema? O rel\u00f3gio j\u00e1 marcava uma hora da manh\u00e3 \u00e0s v\u00e9speras de um feriado. Juliany migrou para o Instagram em 2018 pois, de acordo com ela, era \u00e9poca de elei\u00e7\u00e3o e a m\u00e9dica \u201cn\u00e3o aguentava mais o Facebook\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fora do consult\u00f3rio de m\u00e9dicos especializados, a ginecologia natural pode ter seus riscos. Mais do que pr\u00e1ticas sem comprova\u00e7\u00e3o ou eventuais queimaduras, o maior problema que reside na pr\u00e1tica \u00e9 seu potencial de adiar tratamentos necess\u00e1rios para patologias mais s\u00e9rias que passam despercebidas, ou doen\u00e7as inicialmente simples cujo tratamento err\u00f4neo pode evoluir para quadros mais graves. \u201cUm corrimento que, pode ser uma gonorreia, vai chegar pra mim como uretrite, uma infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria, pode chegar j\u00e1 como um abscesso p\u00e9lvico, uma infec\u00e7\u00e3o renal\u201d, alerta Juliany.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso preocupa at\u00e9 mesmo as pr\u00f3prias terapeutas, que \u00e0s vezes precisam lidar com a resist\u00eancia das pacientes em procurar um m\u00e9dico especializado quando as op\u00e7\u00f5es alternativas n\u00e3o surtem efeito. Lissa explica que a ginecologia natural n\u00e3o d\u00e1 diagn\u00f3sticos, e que \u00e9 preciso trabalhar em concilia\u00e7\u00e3o com a medicina. \u201c\u00c9 interessante que as mulheres passem por uma m\u00e9dica ginecologista, uma coisa n\u00e3o deve excluir a outra. Nenhuma medicina tradicional e milenar tem a tecnologia da ci\u00eancia moderna, ent\u00e3o a gente precisa aproveitar isso tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela cita o exemplo de uma paciente ind\u00edgena que atendia e que acabou sofrendo um aborto espont\u00e2neo. Com a perda da crian\u00e7a, a mulher se sentia fraca, e ligou para pedir ajuda. Questionada se havia ido ao hospital, Lissa conta que ela se surpreendeu com a pergunta \u201cela n\u00e3o esperava que eu dissesse isso por achar que eu era contra hospital\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao ver que os olhos da mo\u00e7a estavam p\u00e1lidos, a terapeuta alertou que poderia ser uma anemia pela perda de sangue, e pediu para que ela se dirigisse ao hospital e fizesse os procedimentos m\u00e9dicos necess\u00e1rios. \u201cQuem acredita nas terapias naturais n\u00e3o quer mais acreditar na medicina tradicional, e n\u00e3o \u00e9 bem assim. \u00c9 preciso ter um certo bom senso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a resist\u00eancia das mulheres \u00e0 ginecologia tradicional tamb\u00e9m n\u00e3o surgiu do nada. Em 2016, o site Catraca Livre fez uma <a href=\"https:\/\/catracalivre.com.br\/especiais\/abuso-ginecologista\/\">pesquisa<\/a> com 700 mulheres e descobriu que mais da metade delas, 53%, j\u00e1 haviam sido v\u00edtimas de abuso sexual ou moral por parte de ginecologistas. Os abusos incluem toques inapropriados, coment\u00e1rios machistas, a imposi\u00e7\u00e3o de medicamentos sem muita pondera\u00e7\u00e3o, entre outras coisas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O in\u00edcio dessa cultura remonta \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria ginecologia, no s\u00e9culo XIX. Considerado o pai da especialidade, o americano James Marion Sims deu os primeiros passos na ginecologia aos custos do sofrimento de mulheres negras, com experimentos que dariam inveja ao regime nazista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lucy, a primeira delas, foi submetida a cirurgia sem anestesia e desenvolveu uma infec\u00e7\u00e3o que quase a levou \u00e0 morte pela falta de higiene do procedimento. Em sua biografia, o m\u00e9dico, que teve a est\u00e1tua retirada do Central Park em 2018, disse que \u201csua agonia era extrema\u201d e que achou que ela n\u00e3o fosse resistir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lucy e outras seis escravas foram oferecidas por seus senhores aos experimentos, e submetidas a mais de 30 tentativas de cirurgia at\u00e9 que o m\u00e9dico fosse bem-sucedido. E embora os tempos da escravid\u00e3o tenham ficado para tr\u00e1s, a cultura do abuso faz parte da ginecologia at\u00e9 hoje, e t\u00eam afastado mulheres dos consult\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPor muitos anos o corpo da mulher foi considerado como algo que veio com defeito. A gente n\u00e3o sabe menstruar, ent\u00e3o nos d\u00e3o anticoncepcional ainda na inf\u00e2ncia, a gente n\u00e3o sabe como n\u00e3o engravidar, ent\u00e3o precisamos de anticoncepcional para sempre, como se fosse o \u00fanico m\u00e9todo contraceptivo, quando tem filho, voc\u00ea n\u00e3o sabe parir, ent\u00e3o precisa de ces\u00e1rea, depois de laqueadura\u201d, explica Juliany, que procura ter uma abordagem humanizada da ginecologia em seu consult\u00f3rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Justamente por isso, ela n\u00e3o \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 t\u00e9cnicas naturais que possam oferecer algum conforto: caso a mulher esteja com candid\u00edase e opte por tomar ch\u00e1, fazer vaporiza\u00e7\u00e3o, entre outros procedimentos, n\u00e3o tem problema \u2013 desde que junte isso a uma mudan\u00e7a na dieta. Procurar por antif\u00fangicos vendidos em farm\u00e1cia sem receita m\u00e9dica tamb\u00e9m \u00e9 permitido, mas \u00e9 importante ficar de olho se a infec\u00e7\u00e3o n\u00e3o retorna com frequ\u00eancia. \u201c\u00c0s vezes, essa mulher vive com HIV e nem sabe. Ela tamb\u00e9m pode ser cel\u00edaca, intolerante \u00e0 lactose ou pode ter alguma outra quest\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe ainda outra pr\u00e1tica comum da ginecologia natural, essa n\u00e3o necessariamente ligada \u00e0 sa\u00fade, em que as fases da lua s\u00e3o relacionadas ao ciclo menstrual. A lua passa por quatro fases, nova, crescente, cheia e minguante, as quais estariam relacionadas com as fases do ciclo menstrual, menstrua\u00e7\u00e3o, pr\u00e9-ovulat\u00f3ria, ovulat\u00f3ria e pr\u00e9-menstrual. Entram ainda as quatro esta\u00e7\u00f5es do ano, inverno, primavera, ver\u00e3o e outono, al\u00e9m de quatro arqu\u00e9tipos de mulheres, que s\u00e3o a anci\u00e3, a donzela, a m\u00e3e e a feiticeira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vamos entender melhor <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tv\/CPdgydopBZm\/\">essa hist\u00f3ria<\/a>: a fase da menstrua\u00e7\u00e3o \u00e9 relacionada \u00e0 lua nova, menos vis\u00edvel no c\u00e9u noturno. Neste per\u00edodo, a mulher estaria mais fraca e introspectiva. Do ponto de vista m\u00edstico, \u00e9 ainda um momento em que a pessoa est\u00e1 mais intuitiva e deve se atentar aos sonhos. O per\u00edodo pr\u00e9-ovulat\u00f3rio \u00e9 relacionado com a lua crescente, pois o astro se enche de luz e a mulher transborda energia. Este seria o momento para correr atr\u00e1s de suas metas. A fase ovulat\u00f3ria relaciona-se \u00e0 lua cheia, e \u00e9 marcada pela extrovers\u00e3o e autoestima. Um momento ideal para se comunicar. A fase pr\u00e9-menstrual vai de encontro \u00e0 lua minguante, quando a energia come\u00e7a a sumir. Este seria um momento de sensibilidade e autocuidado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aos mais c\u00e9ticos, a explica\u00e7\u00e3o parece diretamente sa\u00edda de um livro de fantasia, mas v\u00eam sendo alvo de pesquisas s\u00e9rias. Recentemente, um artigo publicado no <a href=\"https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/7\/5\/eabe1358\">Science Advances<\/a> indicou que o ciclo menstrual de algumas mulheres pode sim estar sincronizado com a lua em algumas fases da vida, mais precisamente, sendo influenciado pela quantidade de ilumina\u00e7\u00e3o lunar e for\u00e7a gravitacional que o astro emite em cada fase.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para chegar a esta conclus\u00e3o, foram analisadas 22 mulheres que anotaram a data de in\u00edcio da menstrua\u00e7\u00e3o por um per\u00edodo m\u00e9dio de 15 anos, e em idades variadas. Avaliando as seis que mantiveram registros de tempo mais longos \u2013 entre 19 e 32 anos \u2013 os pesquisadores notaram que cinco delas tinham ciclos que se sincronizam com a lua de tempos em tempos. \u201cQuando as datas de uma mulher eram combinadas, havia uma associa\u00e7\u00e3o significativa entre o in\u00edcio da menstrua\u00e7\u00e3o com a lua cheia e a lua nova, mas n\u00e3o com outras fases do ciclo lunar\u201d, diz o artigo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso das oito que registraram a data por menos tempo, seis tiveram o mesmo resultado, tamb\u00e9m v\u00e1lido para os per\u00edodos da lua cheia ou lua nova. Os pesquisadores tamb\u00e9m descobriram que a dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia dos ciclos menstruais em mulheres at\u00e9 35 anos \u00e9 de 29,4 dias, contra 26,3 para as mais velhas. Como os ciclos das mulheres mais jovens t\u00eam uma dura\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima do ciclo lunar de 29,5 dias, o in\u00edcio da menstrua\u00e7\u00e3o das mulheres mais jovens sincroniza-se com a lua nova ou cheia 23,% das vezes, enquanto a coincid\u00eancia para mulheres mais velhas \u00e9 de apenas 9,5%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO estudo n\u00e3o resolveu completamente o debate, mas \u00e9 muito legal que isso d\u00ea um novo \u00e2nimo a toda a discuss\u00e3o sobre a lua estar ou n\u00e3o afetando a biologia humana\u201d, opinou Kristin Tessmar-Raible, bi\u00f3loga da Universidade de Viena em <a href=\"https:\/\/www.the-scientist.com\/news-opinion\/menstrual-cycles-intermittently-sync-with-moon-cycles-study-68429\">entrevista<\/a> \u00e0 revista The Scientist.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale lembrar, por\u00e9m, que mesmo que a influ\u00eancia da lua sobre o ciclo menstrual realmente exista, h\u00e1 explica\u00e7\u00f5es completamente cient\u00edficas e racionais para as mudan\u00e7as de humor e de disposi\u00e7\u00e3o que as mulheres sentem ao longo do m\u00eas: a montanha russa emocional, mais do que qualquer explica\u00e7\u00e3o m\u00edstica, se deve ao sobe e desce dos horm\u00f4nios femininos, respons\u00e1veis pela menstrua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ciclo menstrual possui duas fases: Folicular (antes da libera\u00e7\u00e3o do \u00f3vulo) e l\u00fatea (depois da libera\u00e7\u00e3o do \u00f3vulo). Durante a fase folicular, h\u00e1 um aumento nos n\u00edveis de estrog\u00eanio, horm\u00f4nio relacionado \u00e0s caracter\u00edsticas femininas. Essa mudan\u00e7a faz com que a pessoa se torne mais ativa, tenha mais energia e fique mais disposta a praticar exerc\u00edcios f\u00edsicos, por exemplo. J\u00e1 na fase l\u00fatea, o horm\u00f4nio predominante \u00e9 a progesterona. Nesta \u00e9poca, \u00e9 comum ficar mais inchada, sonolenta e com o humor mais inst\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00f3pria Juliany brinca que adora sincronizar sua menstrua\u00e7\u00e3o com as fases da lua. \u201cMinha escala de plant\u00e3o \u00e9 toda feita de acordo com o meu ciclo menstrual. Para que eu vou querer dar plant\u00e3o na TPM? Exausta, com a progesterona l\u00e1 embaixo, que eu n\u00e3o consigo nem ficar em p\u00e9. Tr\u00eas horas da manh\u00e3 e eu j\u00e1 estou morrendo! Eu vou aproveitar meu estrog\u00eanio, meu pico de testosterona para trabalhar, para depois ficar bem descansada. Ent\u00e3o, assim, conhecer o ciclo menstrual \u00e9 super importante. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso que vai fazer a mulher ficar toda linda, perfeita, maravilhosa e vai dar tudo certo. Tem toda a quest\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o, atividade f\u00edsica que auxilia na redu\u00e7\u00e3o de estresse etc\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Erica Bomfim, uma comerciante de 34 anos que conhecemos pelos grupos de ginecologia natural do Facebook, conta sobre sua rela\u00e7\u00e3o conturbada com medicamentos. Desde pequena, foi ensinada pela m\u00e3e que rem\u00e9dios qu\u00edmicos eram sin\u00f4nimos de efeitos colaterais indesejados. Ela explica que nunca fez vaporiza\u00e7\u00e3o do \u00fatero ou nenhuma das outras pr\u00e1ticas citadas no texto, al\u00e9m de n\u00e3o compreender tanto sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a menstrua\u00e7\u00e3o e o m\u00edstico. \u201cTalvez eu n\u00e3o seja uma pessoa t\u00e3o avan\u00e7ada nessa \u00e1rea.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O neg\u00f3cio de Erica s\u00e3o os medicamentos naturais. \u201cEu sempre pesquiso antes de utilizar. Se eu utilizo alguma coisa e n\u00e3o me d\u00e1 resultado, eu continuo pesquisando. Mas eu tamb\u00e9m n\u00e3o uso qualquer coisa. Eu sempre pesquiso qual \u00e9 a linha que existe entre aquilo. Eu sei que os rem\u00e9dios tradicionais, os rem\u00e9dios qu\u00edmicos, s\u00e3o feitos a partir de produtos da natureza, mas passam por uma manipula\u00e7\u00e3o. N\u00f3s podemos encontrar as subst\u00e2ncias naturais em ervas e outros alimentos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto tomar um ch\u00e1zinho outro e manter visitas regulares ao ginecologista dificilmente far\u00e1 mal \u00e0 sa\u00fade, o capitalismo t\u00eam surfado na onda da ginecologia natural para oferecer produtos question\u00e1veis, que prometem resultados milagrosos com combina\u00e7\u00f5es exageradas de ervas encapsuladas e elementos sem qualquer tipo de comprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma pesquisa r\u00e1pida no google pelo termo \u201cacento vaporiza\u00e7\u00e3o uterina\u201d exibe uma s\u00e9rie de resultados. Os banquinhos, que costumam ter uma abertura no formato de uma vulva no centro, variam, em m\u00e9dia, entre 100 e 200 reais, mas alguns <a href=\"https:\/\/www.americanas.com.br\/produto\/3502461309?opn=YSMESP\">modelos<\/a> podem atingir valores mais salgados, de at\u00e9 600 reais. H\u00e1 ainda desodorantes vaginais para inibir odores naturais, hidratante \u00edntimo, e uma s\u00e9rie de outros produtos que podem, inclusive, alterar o PH da vagina e tornar a regi\u00e3o prop\u00edcia a infec\u00e7\u00f5es, al\u00e9m das muitas op\u00e7\u00f5es de c\u00e1psulas de erva, alho e \u00f3leos vendidas sem qualquer controle.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mercado que se formou ao redor das cren\u00e7as femininas \u00e9 reprovado pelos m\u00e9dicos, que alertam para o perigo de utilizar subst\u00e2ncias desconhecidas, ou de qualidade question\u00e1vel, na vagina. Mas ele tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 visto com bons olhos por algumas terapeutas, que v\u00eaem nisso uma massifica\u00e7\u00e3o que amea\u00e7a a pr\u00e1tica da pr\u00f3pria ginecologia natural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTudo o que \u00e9 industrializado e se transforma em algo de uso indiscriminado, perde o poder de cura\u201d, explica Lissa. \u201cA gente precisa estar sempre alerta porque eu at\u00e9 receito c\u00e1psulas para mulheres, mas a gente faz um processo de desintoxica\u00e7\u00e3o junto, reorganiza a alimenta\u00e7\u00e3o, indica exerc\u00edcios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A terapeuta ainda explica que medica\u00e7\u00f5es milagrosas que apresentam uma combina\u00e7\u00e3o com uma variedade muito grande de ervas n\u00e3o costumam ser efetivas, j\u00e1 que o tratamento precisa ser algo individualizado. \u201cDuas ou tr\u00eas at\u00e9 vai, e quando \u00e9 mais que isso, elas precisam ter propor\u00e7\u00f5es muito espec\u00edficas para funcionar bem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma outra pesquisa, desta vez pelo termo \u201ccursos ginecologia natural\u201d, entrega quase 20 milh\u00f5es de resultados no google. A profiss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 regulamentada, o que atrapalha o controle sobre o que \u00e9 oferecido e prometido aos alunos. Apesar de concordar que a regulamenta\u00e7\u00e3o daria mais seguran\u00e7a a quem busca a ginecologia natural, Lissa aponta que h\u00e1 um lado positivo na falta de regras pr\u00e9-estabelecidas: \u201cisso permite que a gente conserve a ess\u00eancia desses saberes hol\u00edsticos, que s\u00e3o pautados em outros paradigmas, sem ter que adequ\u00e1-los ao modelo cient\u00edfico moderno\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por conta dessa falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o, e especialmente por uma quest\u00e3o preventiva, \u00e9 importante que as mulheres n\u00e3o abandonem os consult\u00f3rios m\u00e9dicos. Exames ginecol\u00f3gicos n\u00e3o devem assustar, mas sim serem t\u00e3o valorizados quanto endoscopias, colonoscopias, exames de sangue, resson\u00e2ncias, entre outros. Sempre existir\u00e1 profissionais ruins, mas isso n\u00e3o exclui a exist\u00eancia de m\u00e9dicos bons e interessados em oferecer o melhor ao paciente. Ou seja, busque por alternativas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao mesmo tempo, a ginecologia natural, que na verdade deve ser descrita como uma terapia complementar, deve ser feita como acompanhamento, e n\u00e3o medida \u00fanica. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio deixar claro que nem todas as pr\u00e1ticas funcionam para todos os tipos de pessoas, e n\u00e3o devem ser feitas sem supervis\u00e3o. Respeite seu corpo e os limites dele. E, claro, se os problemas persistirem, procure um m\u00e9dico especializado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><span class=\"has-inline-color has-black-color\"><em> <strong>Por Amanda Capuano e Carolina Fioratti<\/strong> <\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Maria tinha apenas 11 anos quando desceu sua primeira menstrua\u00e7\u00e3o. Foi um grande susto, afinal, acabara de largar as bonecas e agora ouvia \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=356\"> <\/a>","protected":false},"author":80,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[13,12,11,8],"class_list":["post-356","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-revista-babel-julho-2021","tag-ciclo-menstrual","tag-ginecologia-natural","tag-menstruacao","tag-revista-babel"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Ginecologia natural: empoderamento feminino ou mistifica\u00e7\u00e3o do corpo? - Revista Babel<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=356\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Ginecologia natural: empoderamento feminino ou mistifica\u00e7\u00e3o do corpo? - Revista Babel\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Maria tinha apenas 11 anos quando desceu sua primeira menstrua\u00e7\u00e3o. Foi um grande susto, afinal, acabara de largar as bonecas e agora ouvia\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=356\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Revista Babel\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2021-10-13T22:32:42+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2021-10-13T22:32:43+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Amanda Capuano e Carolina Fioratti\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Amanda Capuano e Carolina Fioratti\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"24 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=356#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=356\"},\"author\":{\"name\":\"Amanda Capuano e Carolina Fioratti\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/7170a797e8f26372f7268ea5c88bdd73\"},\"headline\":\"Ginecologia natural: empoderamento feminino ou mistifica\u00e7\u00e3o do corpo?\",\"datePublished\":\"2021-10-13T22:32:42+00:00\",\"dateModified\":\"2021-10-13T22:32:43+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=356\"},\"wordCount\":4907,\"keywords\":[\"ciclo menstrual\",\"ginecologia natural\",\"menstrua\u00e7\u00e3o\",\"revista babel\"],\"articleSection\":[\"Babel 2021 - Ed. Junho\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=356\",\"url\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=356\",\"name\":\"Ginecologia natural: empoderamento feminino ou mistifica\u00e7\u00e3o do corpo? - Revista Babel\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/#website\"},\"datePublished\":\"2021-10-13T22:32:42+00:00\",\"dateModified\":\"2021-10-13T22:32:43+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/7170a797e8f26372f7268ea5c88bdd73\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=356#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=356\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=356#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Ginecologia natural: empoderamento feminino ou mistifica\u00e7\u00e3o do corpo?\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/\",\"name\":\"Revista Babel\",\"description\":\"\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/7170a797e8f26372f7268ea5c88bdd73\",\"name\":\"Amanda Capuano e Carolina Fioratti\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/7b5dbe69c2e6c50d976aeb6750599b9089bdc9797700f5fd1bed914b0b2bc0be?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/7b5dbe69c2e6c50d976aeb6750599b9089bdc9797700f5fd1bed914b0b2bc0be?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/7b5dbe69c2e6c50d976aeb6750599b9089bdc9797700f5fd1bed914b0b2bc0be?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Amanda Capuano e Carolina Fioratti\"},\"url\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?author=80\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Ginecologia natural: empoderamento feminino ou mistifica\u00e7\u00e3o do corpo? - Revista Babel","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=356","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Ginecologia natural: empoderamento feminino ou mistifica\u00e7\u00e3o do corpo? - Revista Babel","og_description":"Maria tinha apenas 11 anos quando desceu sua primeira menstrua\u00e7\u00e3o. Foi um grande susto, afinal, acabara de largar as bonecas e agora ouvia","og_url":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=356","og_site_name":"Revista Babel","article_published_time":"2021-10-13T22:32:42+00:00","article_modified_time":"2021-10-13T22:32:43+00:00","author":"Amanda Capuano e Carolina Fioratti","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Amanda Capuano e Carolina Fioratti","Est. tempo de leitura":"24 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=356#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=356"},"author":{"name":"Amanda Capuano e Carolina Fioratti","@id":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/#\/schema\/person\/7170a797e8f26372f7268ea5c88bdd73"},"headline":"Ginecologia natural: empoderamento feminino ou mistifica\u00e7\u00e3o do corpo?","datePublished":"2021-10-13T22:32:42+00:00","dateModified":"2021-10-13T22:32:43+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=356"},"wordCount":4907,"keywords":["ciclo menstrual","ginecologia natural","menstrua\u00e7\u00e3o","revista babel"],"articleSection":["Babel 2021 - Ed. Junho"],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=356","url":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=356","name":"Ginecologia natural: empoderamento feminino ou mistifica\u00e7\u00e3o do corpo? - Revista Babel","isPartOf":{"@id":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/#website"},"datePublished":"2021-10-13T22:32:42+00:00","dateModified":"2021-10-13T22:32:43+00:00","author":{"@id":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/#\/schema\/person\/7170a797e8f26372f7268ea5c88bdd73"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=356#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=356"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=356#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Ginecologia natural: empoderamento feminino ou mistifica\u00e7\u00e3o do corpo?"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/#website","url":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/","name":"Revista Babel","description":"","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/#\/schema\/person\/7170a797e8f26372f7268ea5c88bdd73","name":"Amanda Capuano e Carolina Fioratti","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/7b5dbe69c2e6c50d976aeb6750599b9089bdc9797700f5fd1bed914b0b2bc0be?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/7b5dbe69c2e6c50d976aeb6750599b9089bdc9797700f5fd1bed914b0b2bc0be?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/7b5dbe69c2e6c50d976aeb6750599b9089bdc9797700f5fd1bed914b0b2bc0be?s=96&d=mm&r=g","caption":"Amanda Capuano e Carolina Fioratti"},"url":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?author=80"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/356","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/80"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=356"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/356\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=356"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=356"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=356"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}