{"id":365,"date":"2021-10-13T20:22:12","date_gmt":"2021-10-13T23:22:12","guid":{"rendered":"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=365"},"modified":"2021-10-13T20:39:00","modified_gmt":"2021-10-13T23:39:00","slug":"eurovision-onde-a-politica-e-a-musica-se-encontram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=365","title":{"rendered":"Eurovision: onde a pol\u00edtica e a m\u00fasica se encontram"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Eurovision Song Contest, ou Festival Eurovis\u00e3o da Can\u00e7\u00e3o, \u00e9 provavelmente o maior evento cultural do mundo sobre o qual voc\u00ea nunca ouviu falar. Apenas em 2021, foram mais de 180 milh\u00f5es de pessoas assistindo \u00e0 competi\u00e7\u00e3o, em que diversos pa\u00edses, a grande maioria europeus, enviam representantes. No fim, ganha a m\u00fasica mais votada. Mas, para al\u00e9m de um \u201cThe Voice\u201d continental, o festival tamb\u00e9m \u00e9 palco de uma converg\u00eancia entre pol\u00edtica e m\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2021, o Eurovision ficou mais famoso ao redor do mundo com a vit\u00f3ria da banda italiana M\u00e5neskin, cujos membros se tornaram um fen\u00f4meno no TikTok e no Twitter. Fora do continente europeu, por\u00e9m, o evento ainda recebe pouca aten\u00e7\u00e3o. As principais exce\u00e7\u00f5es v\u00eam de Israel, Arm\u00eania, Azerbaij\u00e3o e Austr\u00e1lia, que participam do evento mesmo sem estar na Europa, e dos Estados Unidos, onde o festival \u00e9 transmitido na televis\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/iM8n98jHzKFlQIs2n74L-cH0NHniV6oTB6xuKpPssfZdWKBXdHfkW7DIYP5REZkoa9J_L4cz5ibAthkFusISOTXn3_pOJeRDeZvo6d0aRaXJAR3q56bCfzLjCMC5MKM5EC5zfDdA=s0\" alt=\"\"\/><figcaption> A vit\u00f3ria da banda italiana M\u00e5neskin aumentou a popularidade do Eurovision nas redes sociais. Imagem: NPO\/NOS\/AVROTROS NATHAN REINDS <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes disso, o Eurovision j\u00e1 ficou famoso por m\u00fasicas bem humoradas, s\u00e1tiras, performances \u201ctoscas\u201d que ironizam o pr\u00f3prio festival e tamb\u00e9m por lan\u00e7ar \u00e0 fama \u00edcones da m\u00fasica. \u00c9 o caso da banda Abba, vencedora em 1974, e das cantoras C\u00e9line Dion, ganhadora de 1988, e Lara Fabian. Tamb\u00e9m j\u00e1 teve participantes de peso, como a banda Katrina and the Waves, ganhadora de 1999, e a cantora Bonnie Tyler. A m\u00fasica \u201cEuphoria\u201d, sucesso internacional, ganhou em 2012, e o cl\u00e1ssico \u201cVolare\u201d deu o segundo lugar para a It\u00e1lia em 1958. Ainda em 2021, o famoso rapper Flo Rida fez uma participa\u00e7\u00e3o na m\u00fasica de San Marino, um microestado cercado pela It\u00e1lia, mas amargou o 22\u00ba lugar.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Eurovision teve encontros com a pol\u00edtica desde sua origem<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas mesmo em um ano com audi\u00eancia mais \u201cinternacional\u201d, a pol\u00edtica por tr\u00e1s do evento ainda passou batido para muitos espectadores. Para Dean Vuletic, pesquisador do Centro de Pesquisa da Hist\u00f3ria das Transforma\u00e7\u00f5es da Universidade de Viena, o grande evento pol\u00edtico desta edi\u00e7\u00e3o do Eurovision foi a desqualifica\u00e7\u00e3o da Bielor\u00fassia. O pa\u00eds \u00e9 governado pelo ditador Aleksandr Lukashenko, que enfrentou intensos protestos contra seu regime em 2020, e o pa\u00eds foi impedido de participar do festival ap\u00f3s se recusar a alterar a m\u00fasica que seria enviada para a competi\u00e7\u00e3o, com um tom de elogios e defesa do pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Oficialmente, a Uni\u00e3o Europeia de Radiodifus\u00e3o (EBU em ingl\u00eas), que organiza o Eurovision, introduziu uma regra em 2005 que \u00e9 \u201ccontra o conte\u00fado pol\u00edtico [nas m\u00fasicas] inscritas\u201d. Entretanto, a pr\u00f3pria origem do festival acaba se entrela\u00e7ando com o ambiente pol\u00edtico europeu, e com ambi\u00e7\u00f5es e rivalidades entre diversos pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A liga\u00e7\u00e3o entre a pol\u00edtica e o Eurovision come\u00e7a na pr\u00f3pria origem do festival. Autor do livro \u201cA Europa p\u00f3s-Guerra e o Eurovision Song Contest\u201d, Vuletic afirma que a competi\u00e7\u00e3o \u201csempre foi pol\u00edtica\u201d, e explica o motivo: \u201cas m\u00fasicas aparecem com o nome dos pa\u00edses, apesar delas representarem na verdade os servi\u00e7os p\u00fablicos de radiodifus\u00e3o nacionais que s\u00e3o membros da EBU\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa escolha de categoriza\u00e7\u00e3o foi feita pela pr\u00f3pria EBU, com o argumento de que seria mais f\u00e1cil para os jurados e o p\u00fablico associarem as apresenta\u00e7\u00f5es aos pa\u00edses, mas o autor destaca um outro motivo por tr\u00e1s da decis\u00e3o. \u201cA EBU decidiu isso para tornar o evento mais excitante: afinal, as pessoas ficam mais passionais com uma competi\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses do que entre emissoras de televis\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas afinal, como surgiu o Eurovision Song Contest? O festival come\u00e7ou em 1956, inspirado no Festival de Sanremo, uma competi\u00e7\u00e3o musical italiana. No contexto do p\u00f3s-Segundo Guerra Mundial, o Eurovision foi idealizado como uma ferramenta para aumentar a integra\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses do continente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/WocWbkpihlCHMoQ0voKOM0sDToB8aGJw5s53U7G09hsW5eFe6SikQn_lcoGsy1HPtto4miUyeLgVazAT0nMYDMmjGh-TpbUV012makXjOT8V1MhrhfGYz7ecloKyp2TaDZyUkp8f=s0\" alt=\"\"\/><figcaption> Lys Assia foi a primeira vencedora do festival, representando a Su\u00ed\u00e7a. Foto: Eurovision Song Contest <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se naquele ano foram apenas 7 pa\u00edses competidores, em 2021 foram 39. Com o tempo, o festival foi ganhando regras e mudan\u00e7as. Surgiram as semifinais de classifica\u00e7\u00e3o, os seis pa\u00edses que n\u00e3o precisam participar dela (Espanha, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Reino Unido, Alemanha e o ganhador do ano anterior), a regra de que o pa\u00eds ganhando sedia o festival no ano seguinte. A pr\u00f3pria regra para evitar conte\u00fado pol\u00edtico, em 2005, surgiu ap\u00f3s uma manifesta\u00e7\u00e3o na can\u00e7\u00e3o ucraniana a favor da chamada Revolu\u00e7\u00e3o Laranja, contr\u00e1ria ao governo e que ocorria no pa\u00eds ao mesmo tempo em que ele sediava a competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Festival tem sido usado para o chamado &#8220;nation branding\u201d<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro elemento chave para entender os contornos pol\u00edticos do Eurovision \u00e9 o seu sistema de vota\u00e7\u00e3o. Hoje, a vota\u00e7\u00e3o se divide em um j\u00fari \u201cprofissional\u201d e uma vota\u00e7\u00e3o popular. Nelas, \u00e9 comum que pa\u00edses votem em aliados de longa data. Uma \u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d, por exemplo, \u00e9 que a Gr\u00e9cia e Chipre troquem a pontua\u00e7\u00e3o m\u00e1xima todo ano. \u201cEu acho que o Eurovision sempre ter\u00e1 um impacto pol\u00edtico e ser\u00e1 uma ferramenta pol\u00edtica, porque os europeus gostam de interpret\u00e1-lo pelas mensagens pol\u00edticas, em especial quando chegam os votos\u201d, comenta ele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tiago Batista, que pesquisou a geopol\u00edtica da competi\u00e7\u00e3o em seu mestrado no Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa, divide alguns padr\u00f5es de vota\u00e7\u00e3o em grupos. H\u00e1 o \u201cvoto cultural\u201d, caso de Gr\u00e9cia e Chipre que \u201ctrocavam sempre pontua\u00e7\u00e3o m\u00e1xima, pois falam a mesma l\u00edngua e culturalmente s\u00e3o quase o mesmo pa\u00eds\u201d, o \u201cvoto vizinho\u201d, em geral entre pa\u00edses que fizeram parte da URSS e da Iugosl\u00e1via e que votam entre si e o \u201cvoto imigrante\u201d, composto pela di\u00e1spora. \u201cPortugal recebe sempre muitos pontos dos pa\u00edses onde tem muitos emigrantes, como Su\u00ed\u00e7a, Fran\u00e7a e B\u00e9lgica, e entrega aos pa\u00edses com grandes comunidades em Portugal, como Ucr\u00e2nia, Mold\u00e1via e Romenia\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, Vuletic destaca que, politicamente falando, o Eurovision sempre foi um poderoso instrumento pr\u00f3-Europa. N\u00e3o \u00e0 toa, ele chegou a ser patrocinado pela Comunidade Econ\u00f4mica Europeia, uma esp\u00e9cie de m\u00e3e da Uni\u00e3o Europeia. Batista opina que ela foi \u201cquase como a precursora da Uni\u00e3o Europeia, pois conseguiu juntar os pa\u00edses da Europa Ocidental antes do Tratado de Roma de 1957, que fundou politicamente a, agora conhecida como, Uni\u00e3o Europeia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse uso de \u201cmega eventos\u201d na Europa para incentivar uma uni\u00e3o continental n\u00e3o fica restrito \u00e0 m\u00fasica. O professor lembra de iniciativas no campo do esporte tamb\u00e9m, como a Champions League e o Campeonato Europeu. A ideia \u00e9 colocar todos os europeus juntos em suas casas, assistindo \u00e0 mesma programa\u00e7\u00e3o, falando sobre o mesmo assunto e desfrutando de uma competi\u00e7\u00e3o muito menos violenta e danosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que aconteceu, na opini\u00e3o dele, \u00e9 que conforme o Eurovision foi crescendo, com mais pa\u00edses e audi\u00eancia, \u201cas quest\u00f5es pol\u00edticas\u201d mudaram, e o potencial do festival para beneficiar pa\u00edses tamb\u00e9m aumentou. Batista lembra que, atualmente, a competi\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201co evento n\u00e3o-esportivo de maior audi\u00eancia do mundo\u201d, e portanto pode ser muito ben\u00e9fica, quando bem aproveitada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, a competi\u00e7\u00e3o \u00e9 um importante instrumento do chamado soft power, ou poder brando, um termo que define formas diplom\u00e1ticas e culturais de um pa\u00eds influenciar outros, exercendo uma esp\u00e9cie de domina\u00e7\u00e3o pac\u00edfica. O doutorando em literatura e cultura da UFBA, Sanio Santos da Silva, define a competi\u00e7\u00e3o como \u201cuma grande plataforma de nation branding\u201d, se referindo ao processo de cria\u00e7\u00e3o de imagem de um pa\u00eds para o p\u00fablico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele explica que \u201ca ideia do nation branding \u00e9 editar a identidade nacional e propagar o que quer, e o Eurovision \u00e9 bom pra isso porque \u00e9 r\u00e1pido, as pessoas est\u00e3o se divertindo, bebendo. \u00c9 um momento de celebra\u00e7\u00e3o, entretenimento, mais efetivo que passar em um jornal, em que as pessoas est\u00e3o tensas, vendo coisas mais s\u00e9rias\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cUcr\u00e2nia, Let\u00f4nia, Est\u00f4nia por exemplo usaram para se afastar da URSS. Hoje, acredito que alguns pa\u00edses fazem o nation branding\u201d, observa. J\u00e1 Vuletic observa que \u00e9 comum que os pa\u00edses sede do evento usem a audi\u00eancia para exaltar todo o potencial tur\u00edstico do pa\u00eds, e aproveitem a oportunidade para mostrar que est\u00e3o prontos para sediar outros eventos internacionais. Foi o caso, por exemplo, da R\u00fassia, que sediou o Eurovision antes da Copa do Mundo e das Olimp\u00edadas de Inverno, e do Azerbaij\u00e3o, que sediou antes de tentar ganhar o direito de receber as Olimp\u00edadas de Ver\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro exemplo de tentativa de usar o Eurovision para beneficiar o pa\u00eds vem de uma liga\u00e7\u00e3o do festival com o p\u00fablico LGBTQIA+, que hoje comp\u00f5e um bloco de f\u00e3s fi\u00e9is. Em 2018, por exemplo, a Irlanda seguiu tentativas da R\u00fassia em 2015 e teve uma \u201c apresenta\u00e7\u00e3o bem gay-friendly\u201d, observa Samio. \u201cEu acho que talvez a Irlanda de fato queira isso, esteja querendo talvez trabalhar essa imagem, at\u00e9 por ser um pa\u00eds visto como saturado de catolicismo\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/nmEUwghF_6JfzHcFwfdcO99-vWT8A5zp_iiDBn346epzJtQ7X01imXQAYHm2Jkd9mAD5gCYzDRZXdzZEhtQIZ3cYN9GRGrzwgN9DAeRHsn2inZ_vhJ3Dv1oppooqCEcZUKYRuA9g=s0\" alt=\"\"\/><figcaption> Apresenta\u00e7\u00e3o da Irlanda em 2018 retratou um casal de homens. Fonte: TASS <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>As disputas geopol\u00edticas: de Israel \u00e0 R\u00fassia<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o Eurovision tamb\u00e9m j\u00e1 se encontrou em disputas pol\u00edticas intensas, e que refletiram em acontecimentos no pr\u00f3prio festival. Um caso cl\u00e1ssico \u00e9 o de pa\u00edses que se recusaram a participar da competi\u00e7\u00e3o devido \u00e0 presen\u00e7a de Israel. Foi o caso do Marrocos em 1981 e do L\u00edbano em 2005, ambos com grandes popula\u00e7\u00f5es mu\u00e7ulmanas que veem negativamente o pa\u00eds devido ao conflito de d\u00e9cadas com os palestinos e a ocupa\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios dessa popula\u00e7\u00e3o. Em 2019, a competi\u00e7\u00e3o ocorreu em Israel, e os representantes da Isl\u00e2ndia foram advertidos depois de exibirem faixas pr\u00f3-Palestina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/NgH2JM9HIbyRgA6rV1ScK5VvUQ7wokKvz9ioQBIRODKpVtfox76YrBA2wr0NWwGZigYxiVLrPVfUFFSkvXsrHJDXYJuEE_tiSCBCnBzRFfCfjlbNGQ-b4Flhvad3tieThXNDJZLe=s0\" alt=\"\"\/><figcaption> Representantes da Isl\u00e2ndia foram penalizados ap\u00f3s exibirem a bandeira da Palestina. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As manifesta\u00e7\u00f5es com bandeiras, faixas ou cartazes n\u00e3o foram uma novidade. Batista lembra que, em 1964, um ativista subiu ao palco ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o de Portugal com um cartaz que dizia \u201cboicotem Franco e Salazar\u201d, em refer\u00eancia aos ditadores espanhol e portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/0XlNLc9KutPAYGNk16dw76A1A12FbO-qTEKzATcxQyVDOmCBBhwPYYD2Lcl7TPe7Un-5aQaky5bcY2Kjuntw_lboBr283xnruYYztX41oMKpseei7Csih_5KMwiFySMS33gh65Hn=s0\" alt=\"\"\/><figcaption> Edi\u00e7\u00e3o de 1964 foi marcada pelo protesto contra ditadores da Espanha e de Portugal. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 comum tamb\u00e9m que eventos pol\u00edticos influenciem as can\u00e7\u00f5es do ano, como lembra o pesquisador: \u201cEm 1989 cai o muro de Berlim e, na edi\u00e7\u00e3o de 1990, quatro pa\u00edses levam m\u00fasicas acerca de muros, amizade e constru\u00e7\u00e3o europeia\u201d. Os pa\u00edses eram Alemanha, \u00c1ustria, Noruega e It\u00e1lia, e o \u00faltimo venceu com uma \u201ccan\u00e7\u00e3o sobre a futura passagem da Comunidade Econ\u00f4mica Europeia para Uni\u00e3o Europeia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O exemplo de Sanio Santos da Silva sobre os pa\u00edses que sa\u00edram da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica tamb\u00e9m mostra como o Eurovision reflete o contexto pol\u00edtico do momento. O come\u00e7o dos anos 2000, poucos anos ap\u00f3s o fim da URSS, foi marcado por uma sequ\u00eancia de vit\u00f3rias de pa\u00edses ex-sovi\u00e9ticos: Est\u00f4nia, Let\u00f4nia e Ucr\u00e2nia. Para muitos, inclusive o pesquisador, esse movimento n\u00e3o foi uma coincid\u00eancia. A vit\u00f3ria da Turquia, tamb\u00e9m no come\u00e7o dos anos 2000, foi vista como um marco na aproxima\u00e7\u00e3o do pa\u00eds com a Europa. J\u00e1 em 2007, a S\u00e9rvia se tornou o primeiro pa\u00eds da antiga Iugosl\u00e1via a ganhar a competi\u00e7\u00e3o, e isso apenas um ano depois da separa\u00e7\u00e3o com Montenegro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em alguns casos, a presen\u00e7a da pol\u00edtica no Eurovision ficou ainda mais expl\u00edcita. Foi o caso do festival de 1976. Ele ocorreu apenas dois anos ap\u00f3s a ocupa\u00e7\u00e3o do norte de Chipre pela Turquia, em 1974. Assim, naquele ano, a Gr\u00e9cia enviou uma can\u00e7\u00e3o que tinha como tema a guerra, a ocupa\u00e7\u00e3o e os refugiados, uma cr\u00edtica pouco sutil ao pa\u00eds. J\u00e1 em 2016, a Ucr\u00e2nia ganhou com uma can\u00e7\u00e3o que fazia refer\u00eancia \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o dos t\u00e1rtaros crimeios por Joseph Stalin, uma forma de relembrar as a\u00e7\u00f5es do l\u00edder e, ao mesmo tempo, criticar a R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro caso marcante foi em 2009, quando o evento ocorreu na R\u00fassia. Em 2008, o pa\u00eds havia atacado regi\u00f5es da Ge\u00f3rgia, em apoio a \u00e1reas separatistas do pa\u00eds. J\u00e1 no ano seguinte, a m\u00fasica selecionada pela Ge\u00f3rgia foi \u201cWe Don\u2019t Wanna Put In\u201d, uma refer\u00eancia ao presidente russo Vladimir Putin. A R\u00fassia criticou a escolha da m\u00fasica, a EBU tentou fazer a Ge\u00f3rgia escolher outra e, diante da negativa, o pa\u00eds n\u00e3o participou do festival&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Ucr\u00e2nia e a R\u00fassia acabaram se tornando, inclusive, os dois pa\u00edses que mais levam quest\u00f5es pol\u00edticas para o festival, ao menos na d\u00e9cada de 2010. O motivo \u00e9 a invas\u00e3o e anexa\u00e7\u00e3o pela R\u00fassia da pen\u00ednsula da Crim\u00e9ia, originalmente um territ\u00f3rio ucraniano, em 2014. Em 2017, quando o evento ocorreu na Ucr\u00e2nia, a cantora que representaria a R\u00fassia foi proibida de entrar no pa\u00eds por ter feito uma apresenta\u00e7\u00e3o na Crimeia, ap\u00f3s a anexa\u00e7\u00e3o. A pr\u00f3pria vit\u00f3ria de 2016, como dito anteriormente, serviu como uma cr\u00edtica \u00e0 R\u00fassia, e os dois pa\u00edses tamb\u00e9m enviaram can\u00e7\u00f5es que remetiam ao conflito no festival de 2014, em geral de forma mais sutil para evitar puni\u00e7\u00f5es como a que a Bielor\u00fassia sofreu em 2021.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A suspens\u00e3o da Bielor\u00fassia tamb\u00e9m n\u00e3o foi o \u00fanico evento pol\u00edtico que afetou o festival no ano. A Arm\u00eania acabou optando por n\u00e3o participar, dizendo que era imposs\u00edvel planejar uma performance a tempo do festival. O an\u00fancio foi visto como um sinal dos efeitos do conflito com o Azerbaij\u00e3o em 2020, pela regi\u00e3o de Nagorno-Karabakh (reivindicada pelo Azerbaij\u00e3o mas habitada principalmente por arm\u00eanios). A Arm\u00eania saiu derrotada do conflito, e o pa\u00eds mergulhou em uma onda de protestos contra o primeiro-ministro como resultado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro acontecimento que chamou aten\u00e7\u00e3o foi a chuva de cr\u00edticas contra o representante da Maced\u00f4nia do Norte, feitas pelos pr\u00f3prios maced\u00f4nios. O cantor Vasil Garvanliev precisou tirar um v\u00eddeo do ar ap\u00f3s ser acusado de fazer propaganda pr\u00f3-Bulg\u00e1ria ao incluir as cores da bandeira do pa\u00eds no clipe de sua m\u00fasica. A rela\u00e7\u00e3o entre a Bulg\u00e1ria e a Maced\u00f4nia do Norte se deteriorou ap\u00f3s o primeiro pa\u00eds bloquear a continuidade das conversas de inclus\u00e3o do segundo pa\u00eds na Uni\u00e3o Europeia, exigindo que a Maced\u00f4nia do Norte reconhe\u00e7a que sua l\u00edngua \u00e9 apenas um dialeto b\u00falgaro.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/M0jaC5Yt_N80Lpavj-VXx9ufsVF46BeG_OI4LrCI89IRVXOxBqRJa6HbXvTsr6iE6Dz2fPgrYRkVODXj-4s5cs0f4YzFFJgwvv0f23Q6BcGFbQuxFC-F5waX_mRkmo2UnwSGbQgs=s0\" alt=\"\"\/><figcaption> Representante da Maced\u00f4nia do Norte foi criticado ap\u00f3s cores da bandeira da Bulg\u00e1ria aparecerem em v\u00eddeo. Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, para Sanio Santos da Silva, mais importante do que analisar as rusgas envolvendo os integrantes do Eurovision, deve-se ficar atento \u201ca quem n\u00e3o est\u00e1 participando\u201d. O pesquisador cita as sa\u00eddas da Hungria, a partir de 2020, e da Turquia, a partir de 2013, como bons exemplos de sa\u00eddas com motiva\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. \u201cQuando a Hungria saiu, as pessoas come\u00e7aram a falar que eles sa\u00edram por causa da representa\u00e7\u00e3o de pessoas homossexuais, e o pr\u00f3prio chefe da delega\u00e7\u00e3o indicou que esse poderia ser o principal motivo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pesquisador destaca que, sob o governo do populista de extrema-direita Viktor Orb\u00e1n, a Hungria tem adotado uma postura homof\u00f3bica, incluindo com a aprova\u00e7\u00e3o de leis recentes que retiram direitos do p\u00fablico LGBTQIA+.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 a Turquia alegou em 2013 que preferiu deixar o festival por discordar do sistema de vota\u00e7\u00e3o. Em 2018, por\u00e9m, o gerente-geral do canal de televis\u00e3o turco que representava o pa\u00eds no festival disse que n\u00e3o havia planos de retornar ao Eurovision. Um dos motivos para isso, segundo ele, seria a vit\u00f3ria de Conchita Wurst em 2014. Wurst levou a \u00c1ustria ao primeiro lugar, mas ficou conhecida internacionalmente como a \u201cmulher barbada\u201d. A vit\u00f3ria da drag queen, extremamente popular na comunidade LGBTQIA+, rendeu posicionamentos cr\u00edticos de grupos mais conservadores. Algo semelhante ocorreu em 1998, quando Dana International se tornou a primeira pessoa transg\u00eanero a ganhar a competi\u00e7\u00e3o, representando Israel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/XxNUJmRn00OTs5WArHxh2RJ_xXjgRpVpWN2VQ1mLeWo044K1d8hvIIAW7_Nplte7aopNth8z17Ik8P27PH680aVjjzcZPks2iqCgoKYGfT60UcSaEyuvTd83oqvjqSQ1Av0lR3PB=s0\" alt=\"\"\/><figcaption> Vit\u00f3ria de Conchita Wurst em 2014 foi citada como motivo para a Turquia n\u00e3o retornar ao festival. Foto: Scanpix Denmark\/Reuters <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pol\u00edtica e Eurovision: um casamento insepar\u00e1vel?<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dean Vuletic destaca ainda que, al\u00e9m de tens\u00f5es geopol\u00edticas mais evidentes, o Eurovision tamb\u00e9m reflete de forma mais sutil outras quest\u00f5es importantes. \u201cApesar dos organizadores do Eurovision gostarem de promov\u00ea-lo como um evento diverso, a competi\u00e7\u00e3o tem tido uma diversidade lingu\u00edstica bem menor desde que a regra que as can\u00e7\u00f5es sejam na l\u00edngua nacional dos pa\u00edses foi revogada em 1999\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tema \u00e9 pol\u00eamico, j\u00e1 que muitos pa\u00edses defendiam que o Reino Unido e a Irlanda (que teve quatro vit\u00f3rias na d\u00e9cada de 1990) eram beneficiados pela regra. Mas a observa\u00e7\u00e3o do pesquisador reflete um ponto relevante. De 2000 at\u00e9 2021, apenas dois vencedores tinham can\u00e7\u00f5es nos idiomas nacionais, com os outros em ingl\u00eas e outros dois misturando o ingl\u00eas e outra l\u00edngua. Como compara\u00e7\u00e3o, entre 1978 e 1999, foram 13 m\u00fasicas vencedores no idioma oficial do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pesquisador ainda cita os efeitos da pandemia do novo coronav\u00edrus no Eurovision, quando a EBU foi obrigada a cancelar a edi\u00e7\u00e3o de 2020. \u201cEm 2021 n\u00f3s pudemos ouvir sobre o impacto da pandemia em algumas can\u00e7\u00f5es, que falaram sobre sa\u00fade mental, ansiedade e depress\u00e3o&#8221;, observa ele. Os protestos anti-racismo que marcaram 2020, associados ao movimento Black Lives Matter, tamb\u00e9m n\u00e3o parecem ter passado batido: 2021 foi o ano com o maior n\u00famero de cantores negros na hist\u00f3ria do festival.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/RZ1HD-_5wnzImwpLXLq8620PZYiizZF13Gj25GMykvfue8fl6JoD9fxMOSjWx4DlIqhyeKDHbiRTv7U7WROMkBaPILunDm55arNrKtfkwFiQFQT_WMjvL09Rhi8NjHe4DgRw0-zO=s0\" alt=\"\"\/><figcaption> O surinamense Jeangu Macrooy representou os Pa\u00edses Baixos em 2021, e incluiu trechos em Sranan Tongo, um idioma do Suriname, que foi col\u00f4nia do pa\u00eds. Foto: EBU \/ THOMAS HANSES <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAcho que, ao longo do tempo, o festival tem sofrido com maior ou menor impacto a influ\u00eancia do contexto pol\u00edtico internacional, incluindo no conte\u00fado das can\u00e7\u00f5es\u201d, opina Tiago Batista, destacando que \u201capesar do objetivo do festival serem as can\u00e7\u00f5es, o fato de opor pa\u00edses e ter uma grande audi\u00eancia faz com n\u00e3o consiga ficar alheio a outros fatores, que n\u00e3o os musicais, que o possam influenciar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 Dean Vuletic considera que \u201ca EBU deveria focar mais na import\u00e2ncia e sucesso da Eurovision em unir os europeus, assim como no significado das emissoras p\u00fablicas para a Europa, ao inv\u00e9s de perseguir ambi\u00e7\u00f5es comerciais globais. Ainda existem muitas quest\u00f5es que dividem os europeus, em especial econ\u00f4micos e pol\u00edticos, e as m\u00eddias p\u00fablicas enfrentam novos desafios na era digital\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Exatamente por isso, ele considera que \u201co Eurovision pode ser usado como uma ferramenta para abordar essas duas quest\u00f5es\u201d. Assim, o espectador do festival, novo ou velho, pode ter certeza: al\u00e9m de m\u00fasica, o Eurovision sempre trar\u00e1 um pouco de pol\u00edtica para a televis\u00e3o, mas \u00e9 praticamente imposs\u00edvel evitar isso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\"><em> Por Jo\u00e3o Pedro Malar <\/em><\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Eurovision Song Contest, ou Festival Eurovis\u00e3o da Can\u00e7\u00e3o, \u00e9 provavelmente o maior evento cultural do mundo sobre o qual voc\u00ea nunca ouviu \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=365\"> <\/a>","protected":false},"author":82,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[16,17],"class_list":["post-365","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-revista-babel-julho-2021","tag-eurovision-song-contest","tag-festival-eurovisao-da-cancao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Eurovision: onde a pol\u00edtica e a m\u00fasica se encontram - Revista Babel<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=365\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Eurovision: onde a pol\u00edtica e a m\u00fasica se encontram - Revista Babel\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"O Eurovision Song Contest, ou Festival Eurovis\u00e3o da Can\u00e7\u00e3o, \u00e9 provavelmente o maior evento cultural do mundo sobre o qual voc\u00ea nunca ouviu\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=365\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Revista Babel\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2021-10-13T23:22:12+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2021-10-13T23:39:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/iM8n98jHzKFlQIs2n74L-cH0NHniV6oTB6xuKpPssfZdWKBXdHfkW7DIYP5REZkoa9J_L4cz5ibAthkFusISOTXn3_pOJeRDeZvo6d0aRaXJAR3q56bCfzLjCMC5MKM5EC5zfDdA=s0\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Jo\u00e3o Pedro Malar\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Jo\u00e3o Pedro Malar\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"17 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=365#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=365\"},\"author\":{\"name\":\"Jo\u00e3o Pedro Malar\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/929943d7681a8bb24e488f720575768e\"},\"headline\":\"Eurovision: onde a pol\u00edtica e a m\u00fasica se encontram\",\"datePublished\":\"2021-10-13T23:22:12+00:00\",\"dateModified\":\"2021-10-13T23:39:00+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=365\"},\"wordCount\":3349,\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=365#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/lh3.googleusercontent.com\\\/iM8n98jHzKFlQIs2n74L-cH0NHniV6oTB6xuKpPssfZdWKBXdHfkW7DIYP5REZkoa9J_L4cz5ibAthkFusISOTXn3_pOJeRDeZvo6d0aRaXJAR3q56bCfzLjCMC5MKM5EC5zfDdA=s0\",\"keywords\":[\"eurovision song contest\",\"Festival eurovis\u00e3o da can\u00e7\u00e3o\"],\"articleSection\":[\"Babel 2021 - Ed. 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