{"id":389,"date":"2021-10-13T21:31:46","date_gmt":"2021-10-14T00:31:46","guid":{"rendered":"http:\/\/babel.webhostusp.sti.usp.br\/?p=389"},"modified":"2021-10-13T21:31:47","modified_gmt":"2021-10-14T00:31:47","slug":"e-o-minimo-para-ser-jornalista-por-sergio-gomes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=389","title":{"rendered":"\u201c\u00c9 o m\u00ednimo para ser jornalista\u201d, por S\u00e9rgio Gomes"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cUm jornalismo humanizado. Algo que quebre essa obsess\u00e3o pelo furo e pelas declara\u00e7\u00f5es\u201d, foi a orienta\u00e7\u00e3o de sala de aula. Quem melhor que S\u00e9rgio Gomes, o Serj\u00e3o, para discorrer sobre a pauta? L\u00edder de movimento estudantil e sindical, organizador de jornal alternativo e a mente por tr\u00e1s da prestadora de servi\u00e7os em comunica\u00e7\u00e3o Obor\u00e9 e do projeto Rep\u00f3rter do Futuro. O entrevistado certo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQualquer um faz jornalismo. <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Basta saber relatar o que viu<\/span><\/strong>\u201d, disse Serj\u00e3o em entrevista coletiva. O inc\u00f4modo do convidado n\u00e3o s\u00f3 frente \u00e0s tr\u00eas grandes c\u00e2meras, mas principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 placa de vidro o separando dos alunos ouvintes. Para al\u00e9m disso, a vontade de encontrar o tal do jornalismo diferente quase fez os rep\u00f3rteres desperdi\u00e7arem o relato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mem\u00f3ria sobre S\u00e9rgio transita principalmente sobre sua atua\u00e7\u00e3o enquanto militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e depois como um autointitulado catalisador. Ele aproxima pessoas da sociedade civil de membros de \u00f3rg\u00e3os oficiais para realiza\u00e7\u00e3o de iniciativas que tenham alinhamento com o interesse p\u00fablico. \u201c<strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">\u00c9 algu\u00e9m que cruza as linhas e faz a trama<\/span>.<\/strong> Fez isso no jornalismo, nos sindicatos. Faz at\u00e9 hoje\u201d, declara a artista pl\u00e1stica Laerte Coutinho, e amiga pessoal do jornalista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Serj\u00e3o, em um bate-papo que passou de hora, quis falar da import\u00e2ncia das pessoas se organizarem em torno de um projeto. Dos potenciais da capacidade de articula\u00e7\u00e3o humana. Da Escola de Comunica\u00e7\u00e3o e Artes (ECA) da USP. Sobre a necessidade de consci\u00eancia cidad\u00e3 e da forma\u00e7\u00e3o de bons jornalistas. Conversou sobre tudo isso, para al\u00e9m do jornalismo em si.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, ele lembrou de uma pergunta que sempre fazia quando professor: \u201cQuem aqui \u00e9 de S\u00e3o Paulo? Quantos moram em Pinheiros, nos Jardins?\u201d Segundo ele, os alunos que respondiam sim eram sempre <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">cerca de 90% da sala de aula<\/span><\/strong>. Ent\u00e3o, S\u00e9rgio deixava a proposta: \u201cV\u00e3o ao ponto de \u00f4nibus mais pr\u00f3ximo e peguem a primeira condu\u00e7\u00e3o. Des\u00e7am no ponto final e conhe\u00e7am o bairro onde chegaram. <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">\u00c9 o m\u00ednimo para ser jornalista.<\/span><\/strong>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro m\u00f3dulo do projeto <a href=\"https:\/\/obore.com\/cms-conteudo\/65_projetoreporterdofuturo.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Rep\u00f3rter do Futuro<\/a> chama-se <em>Descobrir S\u00e3o Paulo, descobrir-se rep\u00f3rter: Para entender e falar sobre os desafios de nossa cidade<\/em>. A proposta surgiu, na \u00e9poca em que Serj\u00e3o passou em um concurso para ser professor da ECA, em 1976. Por\u00e9m, o importante \u00e9 que para ele n\u00e3o h\u00e1 como ser jornalista sem ser cidad\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 como ser rep\u00f3rter sem consci\u00eancia de onde vive. E na \u00e2nsia de falar sobre jornalismo, quase se passou despercebido que falar sobre o futuro da profiss\u00e3o com S\u00e9rgio, \u00e9 falar sobre cidadania.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sorte que a sorte faz parte da vida do rep\u00f3rter. O diretor da Obor\u00e9 durante a entrevista falou de uma hist\u00f3ria que circula h\u00e1 tempos nos corredores do Departamento de Jornalismo da ECA. \u201cQuiseram esconder que o Vlado deu aula ali. Isso s\u00f3 est\u00e1 provado porque a Alice Mitika, que eu acho que d\u00e1 aula aqui at\u00e9 hoje, foi na gradua\u00e7\u00e3o e pegou as listas de presen\u00e7a das aulas. Se n\u00e3o, a escola teria jogado tudo fora\u201d,&nbsp; lembrou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por conta disso, a reportagem chegou \u00e0 professora da disciplina de <em>Hist\u00f3ria do Jornalismo. <\/em>Alice n\u00e3o quis falar do assunto, como normalmente evita relembrar de si. Apesar disso, deu uma bronca e uma dica.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/GEkG-YiNJjocDQc9anbcs-28aQR3451WL84de3EOgjFwYXPchkxYzSDBzJnsgtHNOTOlIn8rcFo4OF-OWCZt7FnNJ0E8MaaCUjo2icdrc7VMoRIWhXHEwOdL1KC__AuXdymo6UP1=s0\" alt=\"\"\/><figcaption> Alice Mitika, professora da ECA-USP <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00f3 assim a telha caiu. A parte que ele falava dos seus colegas de turma, do Centro Acad\u00eamico Lupe Cotrim, da revista Bal\u00e3o, publica\u00e7\u00e3o alternativa famosa por seus quadrinhos na d\u00e9cada de 70, quase que passou batida por ansiedade. O <em>slow journalism <\/em>quase morre na sede ao pote. Pior ainda, no preconceito.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Jornalismo e milit\u00e2ncia<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOnipotente, generosa, megal\u00f4mana, a cultura pr\u00e9 64 alimentou a ilus\u00e3o de que tudo dependia mais ou menos de sua a\u00e7\u00e3o: ela n\u00e3o s\u00f3 conscientizaria o povo, como transformaria a sociedade, ajudando a acabar com as injusti\u00e7as sociais. &#8211; Essa ilus\u00e3o terminou em 64; a inoc\u00eancia, em 68\u201d, descreve Zuenir Ventura, no livro <em>1968: o ano que n\u00e3o acabou<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e9rgio conta que sua voca\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia era a arquitetura. \u201cQuando crian\u00e7a, ganhei o livro de um cara chamado Jos\u00e9 Trigo, que era engenheiro e arquiteto. Nesse livro, que parecia um cadern\u00e3o, em uma p\u00e1gina tinha croqui (o esbo\u00e7o da fachada), do outro, a lista de materiais necess\u00e1rios\u201d, rememora. Ele chegou at\u00e9 a planejar a reforma da casa dos pais, onde mora at\u00e9 hoje, no bairro paulistano do Brooklin. S\u00f3 que um acaso o colocou no jornal da escola, o Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Alberto Conte, que se chamava <em>O Bor\u00e9<\/em>. \u201c<strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Bor\u00e9 significa corneta em tupi, uma forma de chamar os aliados<\/span><\/strong>\u201d, esclarece.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMinha primeira tarefa foi relativamente simples. <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Tinha de cobrir uma corrida de bicicletas dos Jogos Pan Americanos<\/span><\/strong>\u201d, indica o jornalista. Isso foi em 1963. Serj\u00e3o lembra que as instala\u00e7\u00f5es constru\u00eddas para o pan foram posteriormente ocupadas dando origem ao Conjunto Residencial da USP (CRUSP). Outro dos legados foi o Centro de Pr\u00e1ticas Esportivos (CEPE) da USP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso foi acontecer em 1967. O jornalista se reuniu com tr\u00eas amigos. Eduardo (Dudu) Ricardo Gradilone Neto, hoje embaixador do Brasil na Turquia. Luiz Ant\u00f4nio Machado C\u00e9sar, atualmente diretor do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o (InCor). E, Fausto Macedo, n\u00e3o o jornalista do <em>Estad\u00e3o<\/em>. \u201c\u00c9 o \u00fanico que n\u00e3o sei onde est\u00e1 hoje\u201d, for\u00e7a a mem\u00f3ria S\u00e9rgio. No mesmo ano, a movimenta\u00e7\u00e3o estudantil come\u00e7a a se reorganizar e surge, de fato. \u201c<strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">E as mobiliza\u00e7\u00f5es se acirram ainda mais at\u00e9 e com 68, com o golpe no golpe<\/span><\/strong>\u201d, analisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00f3s quatro nos reunimos para cobrir o ato como <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">rep\u00f3rteres estudantis<\/span><\/strong>. A passeata caminhava do Largo da Batata \u00e0 rua Teodoro Sampaio, na altura da pra\u00e7a Benedito Calixto\u201d, esmi\u00fa\u00e7a o percurso. A pol\u00edcia iniciou a repress\u00e3o. Abriram fogo. \u201cAs balas eram provavelmente de borracha. Uma delas atingiu a cabe\u00e7a do Dudu. Exatamente um risco no cabelo que o levou ao Hospital das Cl\u00ednicas\u201d, lamenta.Eram explos\u00f5es para todo lado, relata S\u00e9rgio. \u201cJogaram uma bomba de efeito moral do meu lado. E foi aquele tro\u00e7o, um barulho enorme. Subiu uma fuma\u00e7a rosa choque. Quem inalasse ficava com desinteria, uns dois ou tr\u00eas dias\u201d, reprisa o ex-professor. Deparado com o confronto, ele quis reagir. \u201cPeguei a granada. Queimei a m\u00e3o. Burro! Assim que a fuma\u00e7a desceu, <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">vi duas m\u00e3os se cumprimentando. O logotipo da chamada Alian\u00e7a para o Progresso<\/span><\/strong>\u201d, revive a surpresa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o dicion\u00e1rio do Centro de Pesquisa e Documenta\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea do Brasil (CPDOC), da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), era um \u201cprograma de assist\u00eancia ao desenvolvimento socioecon\u00f4mico da Am\u00e9rica Latina formalizado quando os Estados Unidos e 22 outras na\u00e7\u00f5es do hemisf\u00e9rio sul, entre elas o Brasil, assinaram a Carta de Punta del Este em agosto de 1961.\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">\u201cEu n\u00e3o sabia &#8211; e ningu\u00e9m sabia &#8211; que essa alian\u00e7a implicava tamb\u00e9m no fornecimento de muni\u00e7\u00e3o para atacar o povo (&#8230;) essa rela\u00e7\u00e3o de ditadura \u00e0 servi\u00e7o do imperialismo, eu n\u00e3o aprendi em livro.\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Eu aprendi ali no ch\u00e3o da Teodoro.\u201d<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste cen\u00e1rio, os alunos do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Alberto Conte ocuparam a escola, em conjunto com os professores. Sendo assim, colaboraram para organizar e rearranjar a escola. \u201cDas quadras e jardins, at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um jornal, pensamos em tudo\u201d, S\u00e9rgio lembra que assim chegou ao jornalismo. Basicamente, vivendo pol\u00edtica e cidadania.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Untitled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-391\"\/><figcaption> FOTO: Evandro Teixeira \/ Reprodu\u00e7\u00e3o <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que era a USP no golpe dentro do golpe?<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">\u201c\u00c9 um epis\u00f3dio traum\u00e1tico, e esses epis\u00f3dios traum\u00e1ticos da vida da gente fazem que a mem\u00f3ria fique desgastada\u201d<\/span>, <\/strong>disse Jos\u00e9 Marques de Melo, professor em\u00e9rito da USP, em entrevista \u00e0 S\u00e9rgio Gomes, cedida \u00e0 reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAntes de falar de qualquer coisa na USP temos que perceber que nos anos 70, 71, 72, o movimento universit\u00e1rio estava muito parado. O contexto era de demiss\u00e3o e cassa\u00e7\u00e3o dos professores, fechamento da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE), restri\u00e7\u00f5es ao Diret\u00f3rio Central dos Estudantes (DCE). Nos centros acad\u00eamicos havia muito medo\u201d, instiga Serj\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cen\u00e1rio era de desola\u00e7\u00e3o, conforme ele conta. N\u00e3o havia mais jornais, grupos de teatros, cineclubes. N\u00e3o havia atividade estudantil. \u201cHavia restado o receio. Que era real\u201d, exp\u00f5e. No primeiro semestre de 1970, dois militares circularam na ECA com um preso pol\u00edtico. O professor do Departamento de Ci\u00eancia e Informa\u00e7\u00e3o, Luiz Milanesi, foi testemunha.<span class=\"has-inline-color has-black-color\"><strong> <\/strong>&#8220;<strong>Parou a viatura, em frente a escola. Uma C14. Desceram os dois fort\u00f5es, acompanhados de uma pessoa muito machucada<\/strong><\/span>&#8220;, detalha o militante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com as demiss\u00f5es dos docentes da USP, foram colocadas pessoas da direita em cargos chaves da universidade. \u201c<strong>Na ECA chegou uma senhora italiana chamada Helda Bullota Barraco<\/strong>\u201d, conta Jos\u00e9 Marques de Melo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com Marques de Melo, Helda era uma das sucessoras do fascismo. Ela apareceu com um suposto certificado de livre-doc\u00eancia em italiano, l\u00edngua na qual tinha a laura de doutora. \u201cS\u00f3 que, naquela \u00e9poca, o t\u00edtulo de doutor na It\u00e1lia correspondia ao que consideramos hoje a gradua\u00e7\u00e3o\u201d, aponta. Ele conta que ela era ligada ao reitor Manuel Nunes Dias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nunes Dias foi indicado \u00e0 diretoria da Escola de Comunica\u00e7\u00e3o e Artes pelo <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">integralista Miguel Reale<\/span><\/strong>, que assumiu a dire\u00e7\u00e3o da USP com o golpe militar. \u201cE todos os certificados de Helda foram acolhidos pela universidade <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">sem questionamento<\/span><\/strong>\u201d, lembra o professor em\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/Bxdqs7Cx61YvPZn7ujVYugJBfsWD56ZeLNPM5S5ZjqzqRnCDUSdNQh0-I9z5-V8HmZ16eNuYAzo7n5yc3fMPP8Z8Nv8Lr9Yowq466Y1Nb1jbyAjhsjv1aCmIO2mcCUN5BjqIXo0f=s0\" alt=\"\"\/><figcaption> Manifesta\u00e7\u00e3o no largo S\u00e3o Francisco, organizada por alunos da Faculdade de Direito da USP, por liberdades democr\u00e1ticas e anistia, em 5 de maio de 1977 \u2013 FOTO: Arquivo USP \/ Reprodu\u00e7\u00e3o <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que \u00e9 o Arquivo Edgar Leurenroth, que hoje fica na Unicamp, come\u00e7ou na ECA, por iniciativa de Marques de Melo. Na \u00e9poca, se chamava Museu da Imprensa J\u00falio de Mesquita Filho . Contudo, a persegui\u00e7\u00e3o implac\u00e1vel de Helda colocou o legado em risco durante a ditadura militar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">\u201cEla fez uma den\u00fancia. Disse que havia visto publica\u00e7\u00f5es subversivas. Os jornais que ela chamava de Eslavos. Esses jornais, eu recebi da sociedade norte-americana de leitores de jornais. Meu amigo, o professor Raymond Nixon, gostou muito do nosso trabalho e fez um trabalho junto \u00e0 essa associa\u00e7\u00e3o. Essa senhora s\u00f3 viu os jornais eslavos, publica\u00e7\u00f5es subversivas perigos\u00edssimas\u201d<\/span><\/strong>, ironiza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, os arquivos do que era o museu foram incinerados. Sorte que alguns professores sensatos intercederam e salvaram parte do material, hoje reunido em Campinas. A Unicamp resolveu homenagear Leuenroth, que foi um dos pioneiros do jornalismo brasileiro e um not\u00e1vel anarcossindicalista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marques de Melo sofreu um processo em raz\u00e3o do decreto-lei 477, que proibia quem fosse considerado subversivo de fazer parte do ensino p\u00fablico. Foi condenado por uma apostila da mat\u00e9ria <em>A T\u00e9cnica do Lead<\/em>, que chegou \u00e0 embaixada alem\u00e3. O motivo era um recorte, feito pelos alunos da disciplina, sobre o assassinato do estudante Edson Lu\u00eds de Souza pelos militares.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">\u201cAlgu\u00e9m abriu a apostila, achou que era um trabalho de denegrir a imagem do Brasil no exterior\u201d<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">A organiza\u00e7\u00e3o dos alunos e o rigor do PCB<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cExistiam v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas nas universidades. Algumas muito mais barulhentas e radicais que o PCB. <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Mas, os comunistas tentavam organizar a popula\u00e7\u00e3o para fins eleitorais. Isso o regime n\u00e3o permitia<\/span><\/strong>\u201d, observa Alice Mitika.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi nessa USP que chegou S\u00e9rgio. Em 69, ele foi aprovado no primeiro vestibular para a ECA, no qual os alunos tinham de escolher sua habilita\u00e7\u00e3o j\u00e1 no vestibular. Antes, se prestava a prova para a Escola de Comunica\u00e7\u00f5es Culturais, e depois de um ciclo b\u00e1sico de dois anos se decidia a sua profiss\u00e3o para a vida. \u201cEra uma esculhamba\u00e7\u00e3o. Entrava quem n\u00e3o passou no direito ou na arquitetura e n\u00e3o sabia o que queria da vida\u201d, comenta o entrevistado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o, Serj\u00e3o defende que sua turma era diferente. Segundo ele, entraram pessoas determinadas. \u201cN\u00e3o aceit\u00e1vamos o que chamavam de <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">acordo de patifes<\/span><\/strong>\u201d, declara. Isto \u00e9, os docentes fingiam que davam aula, os estudantes fingiam que assistiam. Passados quatro anos, sa\u00edam com o diploma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Naquele ano, 100 alunos foram aprovados em comunica\u00e7\u00e3o, e surgiu tamb\u00e9m o primeiro enfrentamento com os professores. Para fugirem da responsabilidade de dar aula, os docentes escolhiam o modelo de semin\u00e1rios. Por\u00e9m cada disciplina dividia os grupos de maneira diferente. \u201cFalamos que n\u00e3o seria assim. \u2018Voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o nos dividir\u2019\u201d, narra S\u00e9rgio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, surgiram os dez grupos de estudos da ECA. \u201cN\u00f3s cham\u00e1vamos de GE. Depois a esquerda fez algo parecido e chamaram de Grupo de Trabalho, ou GT. Mas, era para trabalhar mesmo e n\u00e3o estudar\u201d, brinca o jornalista. Ele conta que se dividiam de maneira a ler todos os livros da bibliografia indicada. \u201cOs docentes passavam 80 livros de bibliografia b\u00e1sica, s\u00f3 para desorientar a gente\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c<strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Cada uma lia pelo menos um, nos reun\u00edamos e convers\u00e1vamos. O que n\u00e3o tinha lido algo pegava de orelha nos encontros<\/span><\/strong>\u201d, conta S\u00e9rgio. O QG de seu grupo era uma saleta na casa dos pais, projetada por ele mesmo, mostrada \u00e0 reportagem. Os professores, ent\u00e3o, tinham que explicar o que queriam ensinar. \u201cTir\u00e1vamos eles da zona de conforto\u201d, faz piada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na \u00e9poca, havia aulas aos s\u00e1bados na ECA, por\u00e9m s\u00f3 no primeiro hor\u00e1rio. Al\u00e9m disso, na quarta havia uma janela na grade hor\u00e1ria. Isso acontecia porque a legisla\u00e7\u00e3o determinava um n\u00famero m\u00ednimo de dias letivos, que deveriam ser distribu\u00eddos nos quatro meses de aula&nbsp; dispon\u00edveis no semestre, j\u00e1 que haviam f\u00e9rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cFazendo toda matem\u00e1tica, davam uns dezessete dias de aula. Voc\u00ea tira os dias que os professores davam alguma exposi\u00e7\u00e3o, e <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">os grupos n\u00e3o tinham como apresentar seus semin\u00e1rios<\/span><\/strong>\u201d, aponta Serj\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele e seus colegas mudaram isso, ao propor que o segundo hor\u00e1rio do s\u00e1bado fosse disponibilizado aos alunos, para apresentarem seus trabalhos e que os professores fossem obrigatoriamente. \u201c<strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Os\u00a0 docentes ficaram em choque quando viram alunos querendo estudar<\/span><\/strong>\u201d, argumenta. Eram os potenciais da organiza\u00e7\u00e3o estudantil, de acordo com o jornalista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e9rgio lembra, que na \u00e9poca, o CALC se chamava Diret\u00f3rio Acad\u00eamico 9 de julho, em raz\u00e3o do decreto-lei 0228, que regulamentava \u2013 censurava para os mais francos \u2013 as organiza\u00e7\u00f5es estudantis. \u201cO Ciro Marcondes, professor do CJE, era o presidente, e prop\u00f4s a mudan\u00e7a do nome para Centro Acad\u00eamico Lupe Cotrim. Mas, <strong>a <span class=\"has-inline-color has-black-color\">gest\u00e3o dele n\u00e3o era referenciada, ele tocava as coisas basicamente sozinho<\/span><\/strong>. No fim, a Assembleia que avalizou o nome era composta pelos primeiro anistas\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA Lupe era uma mulher jovem e moderna. Dava aula de filosofia e estudava os novos autores. Os franceses de 68, o Foucault. Ent\u00e3o, ela era muito popular entre os alunos\u201d, rememora Jos\u00e9 Marques de Melo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas elei\u00e7\u00f5es do final de 1970, que elegeriam o CALC de 71, Serj\u00e3o e seus colegas foram finalmente eleitos. O conhecido jornalista Augusto Nunes, hoje de direita, era o presidente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A provoca\u00e7\u00e3o continuou. \u201cA gente n\u00e3o tinha jornal laborat\u00f3rio. Em vista disso, o Centro Acad\u00eamico fez o pr\u00f3prio material e convenceu os funcion\u00e1rios a imprimirem na gr\u00e1fica da escola\u201d, lembra S\u00e9rgio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O diretor da Obor\u00e9 conta que o movimento estudantil da \u00e9poca ganhou legitimidade agregando \u00e0 rotina dos estudantes. \u201cTrouxemos melhoras nas aulas, na vida cultural, trazendo shows e al\u00e9m disso debat\u00edamos pol\u00edticas. <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Mas estudando, para ter propriedade<\/span><\/strong>\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O apego \u00e0 virtuosidade talvez seja uma heran\u00e7a dos tempos de PCB. \u201c<strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">A id\u00e9ia de proletariado estava associada \u00e0 id\u00e9ia de pureza moral<\/span><\/strong>\u201d, aponta Zuenir Ventura na grande reportagem sobre 1968.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora n\u00e3o fale muito disso, S\u00e9rgio era conhecido por ser um grande quadro do Partido Comunista Brasileiro, dentro do meio jornal\u00edstico e pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">O Centro Acad\u00eamico e os Jornais Alternativos<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessas a\u00e7\u00f5es, surgiram jornais como <em>A prensa, A prensinha, <\/em>entre outros. Por\u00e9m, o projeto de maior sucesso elaborado na ECA foi a Revista <em>O Bal\u00e3o<\/em>. O <strong>primeiro fanzine brasileiro<\/strong> surgiu do encontro de Laerte com o tamb\u00e9m cartunista Lu\u00eds G\u00ea, na primeira <em>Semana de Editora\u00e7\u00e3o<\/em>, organizada pelos alunos do curso junto ao Centro Acad\u00eamico.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Untitled-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-392\" width=\"275\" height=\"404\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Laerte conta que S\u00e9rgio participava ativamente; dando pitacos. Contudo, a faceta militante fora mais importante que a conselheira, ao aglutinar as pessoas. \u201cO S\u00e9rgio \u00e9 uma pessoa magn\u00e9tica. Dif\u00edcil algu\u00e9m n\u00e3o ser amigo dele. <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Quando eu vi j\u00e1 estava orbitando ao seu redor<\/span><\/strong>\u201d, conta a artista pl\u00e1stica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cartunista lembra que n\u00e3o era a pessoa mais politizada da \u00e9poca. Antes de entrar na ECA, ela estudou no Col\u00e9gio Fern\u00e3o Dias, e seu lugar de atividade era o grupo de teatro e n\u00e3o o gr\u00eamio. \u201c<strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Em meio a toda a agita\u00e7\u00e3o de 68<\/span><\/strong>, fui somente em uma passeata. L\u00e1 em frente ao Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o da USP\u201d, recorda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cE assim cheguei \u00e0 Escola de Comunica\u00e7\u00e3o e Artes\u201d, comenta Laerte. Segundo a pr\u00f3pria artista, ela sempre se identificou como uma pessoa mais libert\u00e1ria do que de esquerda. \u201cLembro que uma vez, um rapaz chamado Bernardo pediu para eu desenhar um retrato do Che (Guevara). <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">E desenhei na inoc\u00eancia. N\u00e3o entendia o risco daquilo<\/span><\/strong>\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse apre\u00e7o pelo desenho e pela liberdade de se expressar fez Laerte ilustrar as edi\u00e7\u00f5es do centro acad\u00eamico, como <em>A Prensa <\/em>e <em>A Prensinha. <\/em>O pr\u00f3prio logo da entidade da ECA foi desenhado pela artista. \u201cIsso l\u00e1 no final de 71, 72\u201d, descreve ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E nos vais e vens pela ECA, e tamb\u00e9m com S\u00e9rgio, a revista Bal\u00e3o aconteceu no Departamento de Jornalismo e Editora\u00e7\u00e3o. O material era feito por diversas pessoas. <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Passaram pela reda\u00e7\u00e3o de <em>O Bal\u00e3o <\/em>mais de 70 artistas<\/span><\/strong>. O material era impresso nas gr\u00e1ficas da Escola e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e9rgio lembra que pela publica\u00e7\u00e3o passaram grandes nomes, al\u00e9m de Laerte e Lu\u00eds G\u00ea. \u201cPaulo Caruso, Chico Caruso, Maringoni, etc\u2026\u201d, enumera. Apesar do sucesso de <em>O Bal\u00e3o<\/em>, o impresso era muito criticado dentro da c\u00fapula do PCB. \u201c<strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Consideravam um movimento irracionalista<\/span><\/strong>\u201d, aponta a cartunista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E segundo ela, foi Serj\u00e3o que<strong> <span class=\"has-inline-color has-black-color\">tra\u00e7ou esse debate, defendendo a import\u00e2ncia de entender os costumes do tempo<\/span>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e9rgio aponta que o sucesso da publica\u00e7\u00e3o deixou os envolvidos conhecidos na \u00e9poca, chegando aos olhos dos trabalhadores. E, no per\u00edodo de repress\u00e3o, havia uma <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">necessidade de articula\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o dos sindicatos<\/span><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o, da procura do Sindicato dos T\u00eaxteis e da disposi\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Gomes, Laerte Coutinho, Paulo S\u00e9rgio Markun, Dil\u00e9a Frate, e alguns outros ecanos, surge a chance de ter um contato direto com o trabalhador. E deu uma dica do segredo que descobriram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"has-inline-color has-black-color\"><strong>\u201cDificilmente um trabalhador faz um pensamento abstrato. (&#8230;) O trabalhador lida com o pensamento anal\u00edtico. Faz uma piada, fala de uma passagem b\u00edblica. Tem um desenvolvimento e uma moral. (&#8230;) Na universidade, as pessoas tem esse jeito arrevesado de dizer as coisas. Tem jornalista que precisa ser decifrado.\u201d<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seis anos depois, acontece a <em>Obor\u00e9<\/em>. Uma refer\u00eancia ao jornal da Escola de S\u00e9rgio. Mas, justamente, na hora de falar de <em>Obor\u00e9 <\/em>e<em> Rep\u00f3rter do Futuro, <\/em>de grandes feitos como o funeral de Alexandre Vannucchi Leme,<em> <\/em>que Serj\u00e3o ficou inquieto. Queria falar com os calouros que assistiam a entrevista do outro lado da placa de vidro. \u201cN\u00e3o sei se essa barreira est\u00e1 me impedindo de me comunicar com eles\u201d, reclamou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, sinceramente, registros da <em>Obor\u00e9 <\/em>e do <em>Rep\u00f3rter do Futuro<\/em> existem muitos, feitos por gente bem mais qualificada que essa reportagem. Seja no site das institui\u00e7\u00f5es citadas, ou em livros v\u00e1rios, como o de Bernardo Kucinski, ou at\u00e9 no endere\u00e7o virtual da ECA. S\u00e9rgio Gomes quis falar com os alunos da import\u00e2ncia de ter um bom curso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trajet\u00f3ria oficial do CALC de Serj\u00e3o acaba durante a grande greve de 1975, na USP.\u00a0 O Centro Acad\u00eamico, do qual S\u00e9rgio era da diretoria, foi tomado pelo conselho de greve, liderado por Jos\u00e9 Am\u00e9rico Dias, hoje deputado estadual. \u201cUm agitador\u201d, de acordo com a professora Alice Mitika. \u201c<strong>Uma hist\u00f3ria mal contada<\/strong>\u201d, alega o comunista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O per\u00edodo foi marcado por um grande recrudescimento. S\u00e9rgio e alguns de seus companheiros foram presos e sujeitos a um passado sombrio. O funeral de Vladimir Herzog, que veio a seguir, foi uma trag\u00e9dia e um marco de mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">O valor do melhor curso de jornalismo do Brasil<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEssa divis\u00e3o com o p\u00fablico \u00e9 um inc\u00f4modo! A situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no pa\u00eds, a crise na universidade, tudo isso guarda semelhan\u00e7as com o que ocorreu l\u00e1 atr\u00e1s. Corro o risco de ficar cagando regra\u201d, resmungou S\u00e9rgio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O jornalista lembrou de uma iniciativa da <em>Obor\u00e9<\/em> em 2007 para problematizar. As contas da iniciativa <em>Cidade do Sol visita a Cidade Universit\u00e1ria: viemos ver o que \u00e9 nosso <\/em>estimam que os <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">moradores de Heli\u00f3polis contribuem cerca de 1,9 milh\u00f5es \u00e0 USP<\/span><\/strong>. Segundo Serj\u00e3o, um custo semelhante ao do curso de jornalismo da universidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c<strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">A maior parte das pessoas, inclusive os que est\u00e3o aqui, n\u00e3o sabe de onde vem esse dinheiro<\/span><\/strong>\u201d, criticou o entrevistado. Ele afirma que jornalismo se faz com problemas. \u201c<strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Se os estudantes de jornalismo n\u00e3o sabem onde vivem, como v\u00e3o falar o que est\u00e1 errado?<\/span><\/strong>\u201d, pergunta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi assim que surgiu o Rep\u00f3rter do Futuro. \u201c<strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">90% dos alunos da \u00e9poca morava em um raio de sete quil\u00f4metros da Avenida Paulista. Como fazer jornalismo?<\/span><\/strong>\u201d, questiona. Ent\u00e3o, a gente identificava o que os alunos consideravam os principais problemas da cidade e traz\u00edamos os especialistas de cada assunto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso aconteceu quando S\u00e9rgio foi professor da ECA entre 76 e 82. \u201c<strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">Foi o pr\u00e9-rep\u00f3rter do futuro<\/span><\/strong>\u201d. Ele conta que saiu porque nesse per\u00edodo de seis anos n\u00e3o houve nenhuma reuni\u00e3o de coordena\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica. \u201cAlgo que n\u00e3o acontece aqui h\u00e1 37 anos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e9rgio viveu uma gera\u00e7\u00e3o que questionou. Seja o regime. Seja a Escola de Comunica\u00e7\u00e3o e Artes. Seja as contradi\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio partido no qual militaram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a professora Mitika, foi um movimento estudantil que revelou grandes jornalistas e \u201cagitadores\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO Augusto Nunes, apesar de ter mudado de lado era uma figura brilhante. O M\u00e1rio S\u00e9rgio Conti, al\u00e9m de um militante radical, era um excelente aluno. Hoje est\u00e1 no <em>Globo News<\/em> e na <em>Folha.\u201d, <\/em>d\u00e1 exemplos, fora S\u00e9rgio, a professora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOpor-se ao arb\u00edtrio, ao autoritarismo e \u00e0 opress\u00e3o, bem como defender os princ\u00edpios expressos na Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos\u201d \u00e9 o primeiro dever de qualquer jornalista, segundo o C\u00f3digo de \u00c9tica do Jornalista Brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e9rgio viveu uma gera\u00e7\u00e3o que, al\u00e9m de pensar qual era a manchete daquela semana, <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">questionou um Estado Autorit\u00e1rio. Uma Ditadura Militar<\/span><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\"><em>Por Jos\u00e9 Carlos Ferreira e Leonardo Lopes <\/em><\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ex-professor da ECA, mais que falar da profiss\u00e3o, defende que as pessoas devem ter consci\u00eancia sobre onde vivem.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=389\"> <\/a>","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-389","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-revista-babel-julho-2021"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>\u201c\u00c9 o m\u00ednimo para ser jornalista\u201d, por S\u00e9rgio Gomes - Revista Babel<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=389\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"\u201c\u00c9 o m\u00ednimo para ser jornalista\u201d, por S\u00e9rgio Gomes - Revista Babel\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Ex-professor da ECA, mais que falar da profiss\u00e3o, defende que as pessoas devem ter consci\u00eancia sobre onde vivem.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=389\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Revista Babel\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2021-10-14T00:31:46+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2021-10-14T00:31:47+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/GEkG-YiNJjocDQc9anbcs-28aQR3451WL84de3EOgjFwYXPchkxYzSDBzJnsgtHNOTOlIn8rcFo4OF-OWCZt7FnNJ0E8MaaCUjo2icdrc7VMoRIWhXHEwOdL1KC__AuXdymo6UP1=s0\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Jos\u00e9 Carlos Ferreira e Leonardo Lopes\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Jos\u00e9 Carlos Ferreira e Leonardo Lopes\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"20 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=389#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=389\"},\"author\":{\"name\":\"Jos\u00e9 Carlos Ferreira e Leonardo Lopes\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/e6e35b0e3e7829ad8783b4384f55726b\"},\"headline\":\"\u201c\u00c9 o m\u00ednimo para ser jornalista\u201d, por S\u00e9rgio Gomes\",\"datePublished\":\"2021-10-14T00:31:46+00:00\",\"dateModified\":\"2021-10-14T00:31:47+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=389\"},\"wordCount\":3952,\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=389#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/lh4.googleusercontent.com\\\/GEkG-YiNJjocDQc9anbcs-28aQR3451WL84de3EOgjFwYXPchkxYzSDBzJnsgtHNOTOlIn8rcFo4OF-OWCZt7FnNJ0E8MaaCUjo2icdrc7VMoRIWhXHEwOdL1KC__AuXdymo6UP1=s0\",\"articleSection\":[\"Babel 2021 - Ed. 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