{"id":89,"date":"2020-06-21T12:58:40","date_gmt":"2020-06-21T15:58:40","guid":{"rendered":"http:\/\/paineira.usp.br\/cje\/babel\/?p=89"},"modified":"2020-09-30T10:43:39","modified_gmt":"2020-09-30T13:43:39","slug":"assexualidade-nao-tenho-vontade-simples-assim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=89","title":{"rendered":"Assexualidade: \u201cN\u00e3o tenho vontade, simples assim\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Ainda esquecidos pela ci\u00eancia e pela m\u00eddia, pessoas assexuais desafiam a ideia de que sexo \u00e9 uma necessidade para todos e ganham espa\u00e7o com o ativismo virtual<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1869, o jornalista e ativista austro-h\u00fangaro Karl-Maria Kertbeny come\u00e7ou a publicar uma s\u00e9rie de textos em formato de folhetins em Berlim, onde residia. Em seus escritos, Kertbeny criticava a chamada \u201cLei da Sodomia\u201d do Imp\u00e9rio Pr\u00fassia, que definia como crime comportamentos sexuais e amorosos entre pessoas do mesmo sexo, al\u00e9m de uma s\u00e9rie de outras pr\u00e1ticas sexuais. Optando por n\u00e3o utilizar os termos ofensivos t\u00edpicos da \u00e9poca como \u201csodomita\u201d e \u201cpederasta\u201d \u2013 acredita-se que ele mesmo era um homem gay, apesar de nunca ter admitido em seus di\u00e1rios \u2013, o jornalista cunhou uma nova terminologia para classificar a sexualidade humana: o termo <em>heterossexual <\/em>para pessoas que mantinham rela\u00e7\u00f5es com pessoas do sexo oposto, e <em>homossexual <\/em>para aqueles que se atra\u00edam pelo mesmo sexo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Kertbeny n\u00e3o viveu para ver, mas sua terminologia envelheceu bem e entrou para o vocabul\u00e1rio <em>mainstream<\/em> at\u00e9 os dias de hoje, tanto no linguajar cient\u00edfico como popular. Bom, pelo menos dois deles. Em seus textos, o jornalista versava sobre uma terceira categoria, a dos monossexuais \u2013 este grupo seria de pessoas que n\u00e3o se relacionaram sexualmente com outros indiv\u00edduos, e s\u00f3 teriam contato com algo pr\u00f3ximo do sexo atrav\u00e9s da masturba\u00e7\u00e3o. O termo n\u00e3o pegou tanto \u2013 talvez pela pr\u00f3pria ideia de que n\u00e3o existam tantas pessoas deste tipo pelo mundo n\u00e3o ter vingado tanto assim.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, os \u201cmonossexuais\u201d do s\u00e9culo 19 t\u00eam outro nome: assexuais. Mas n\u00e3o foi s\u00f3 a terminologia que mudou. Com o avan\u00e7o da ci\u00eancia, come\u00e7amos a compreender cada vez mais que a sexualidade humana \u00e9 um neg\u00f3cio complicado e dif\u00edcil de categorizar em caixinhas. Cada vez mais a exist\u00eancia de pessoas homossexuais, bissexuais, transg\u00eaneros e de outras minorias passou a ser reconhecida. Mas todas essas categorias t\u00eam algo em comum: pressup\u00f5e que o sexo \u00e9 algo inerente ao ser humano, e que a partir dele n\u00f3s podemos ser definido. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, por\u00e9m, ficou claro que isso n\u00e3o era verdade para um n\u00famero consider\u00e1vel de pessoas que passaram a reivindicar seu espa\u00e7o e se assumir como assexuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia de n\u00e3o sentir desejo sexual \u00e9 estranha para a grande maioria das pessoas. O ato sexual \u00e9 quase que ritualizado na sociedade \u2013 principalmente durante a adolesc\u00eancia, como a cobran\u00e7a da perda da virgindade. A pr\u00f3pria ci\u00eancia pode questionar a exist\u00eancia de assexuais \u2013 afinal, o sexo t\u00eam, sob a perspectiva darwiniana, um importante valor na evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, permitindo que organismos diferentes troquem material gen\u00e9tico e resultem em uma varia\u00e7\u00e3o de genes e de adapta\u00e7\u00f5es maior. Mas o fato \u00e9 que a sexualidade vai muito al\u00e9m de instintos primitivos e envolvem fatores emotivos, sociais e at\u00e9 pol\u00edticos que nem sempre s\u00e3o totalmente compreendidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas um movimento crescente de pessoas que se consideram assexuais vem desafiando o entendimento que temos sobre as rela\u00e7\u00f5es humanas \u2013 e mostrando que sim, a vida \u00e9 muito mais do que sexo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que \u00e9 assexualidade, e quem s\u00e3o os assexuais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><\/strong>Durante sua adolesc\u00eancia, Yuri Paz, 25 anos, sentia algo que n\u00e3o conseguia explicar. Primeiro, ainda jovem, pensou que fosse gay. Depois, com o in\u00edcio da vida sexual, passou por um per\u00edodo em que se achava estranho, diferente dos outros. As quest\u00f5es de sa\u00fade come\u00e7aram a preocup\u00e1-lo: pensou at\u00e9 mesmo que tivesse algum problema fisiol\u00f3gico relacionado \u00e0 libido. Nada disso era verdade. O estudante de engenharia civil se descobriu assexual h\u00e1 quatro anos, depois de um processo lento e em meio a muitas d\u00favidas. \u201cEu vi uma hist\u00f3ria de uma mulher que ficou tr\u00eas anos sem sexo e foi muito feliz. A\u00ed eu percebi que me identificava com essa ideia de que eu n\u00e3o preciso do sexo\u201d, conta ele. \u201cFoi uma liberta\u00e7\u00e3o. Me aceitar foi um al\u00edvio\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O processo de se descobrir assexual parece ser complicado especialmente porque definir o termo n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Segundo Anthony Bogaert, assexualidade pode ser resumida simplesmente como a \u201dfalta de atra\u00e7\u00e3o sexual por outras pessoas\u201d \u2013 apesar de ser uma defini\u00e7\u00e3o vaga e que esconde os detalhes do tema. Ele, que \u00e9 professor e pesquisador do Departamento de Psicologia da Universidade de Brock, no Canad\u00e1, \u00e9 um dos maiores especialistas sobre o tema atualmente e foi um dos pioneiros nas pesquisas recentes sobre assexualidade, iniciadas em 2004. Antes disso, o assunto costumava ser tratado como um tabu. O primeiro trabalho realizado sobre o tema data de 1948. Foi conduzido pelo pesquisador Alfred Kinsey que, na \u00e9poca, tentou fazer um levantamento de quantas pessoas n\u00e3o tinham interesse em praticar rela\u00e7\u00f5es sexuais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D\u00e9cadas depois, foi a vez de Bogaert realizar pesquisa semelhante. O canadense chegou a uma estimativa impressionante: 1% da popula\u00e7\u00e3o mundial seria assexual, segundo seus c\u00e1lculos. A pesquisa foi feita baseada em n\u00fameros brit\u00e2nicos, mas segundo dados do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex), da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), 7,7% das mulheres e 2,5% dos homens brasileiros sentem que as rela\u00e7\u00f5es sexuais n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias em suas vidas. A pesquisa, de 2008, \u00e9 uma das mais recentes realizadas no pa\u00eds. Os n\u00fameros s\u00e3o altos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia global, mas isso pode ser explicado pelo fato da pergunta ser abrangente e englobar pessoas que n\u00e3o s\u00e3o assexuais nas respostas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Anthony Bogaert, a causa da falta de atra\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o \u00e9 um consenso no meio cient\u00edfico. \u201cA maioria dos pesquisadores da sexualidade concordam que n\u00e3o costuma ser uma escolha ou necessariamente um dist\u00farbio. \u00c9 considerada uma varia\u00e7\u00e3o singular de orienta\u00e7\u00e3o sexual\u201d, explica ele. Em alguns casos isolados, traumas e dist\u00farbios hormonais podem fazer com que o sexo seja evitado, seja por medo, seja por desconforto, respectivamente. Anthony ressalta, no entanto, que a falta de vontade ou prazer ao praticar sexo, assim como a falta de atra\u00e7\u00e3o sexual, n\u00e3o significam um problema fisiol\u00f3gico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na maioria das ocasi\u00f5es, as pessoas apenas se descobrem assexuais, sem um motivo para tanto, assim como acontece com outras orienta\u00e7\u00f5es sexuais, como a homossexualidade, a bissexualidade e a heterossexualidade. Muitos assexuais passam sua adolesc\u00eancia e at\u00e9 a fase adulta tentando encontrar respostas para a sua condi\u00e7\u00e3o, indo a m\u00e9dicos e realizando exames que mostram que n\u00e3o h\u00e1 nada de errado. Desde 2013, a aus\u00eancia de atra\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o \u00e9 classificada como doen\u00e7a, a n\u00e3o ser que prejudique o indiv\u00edduo, segundo o Manual de Estat\u00edstica e Diagn\u00f3stico de Dist\u00farbios Mentais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nada de sexo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ser assexual n\u00e3o significa n\u00e3o ter rela\u00e7\u00f5es sexuais. Tamb\u00e9m n\u00e3o significa n\u00e3o sentir prazer nessas ocasi\u00f5es. Hoje, a assexualidade \u00e9 melhor representada por um espectro, ao inv\u00e9s de categorias espec\u00edficas. Com isso, a sexualidade humana, que \u00e9 complexa, consegue ser melhor entendida em tipos diferentes. No espectro da alossexualidade \u2013 a sexualidade que envolve necessariamente atra\u00e7\u00e3o sexual por outras pessoas, ou seja, a n\u00e3o-assexualidade \u2013 existem os estritamente h\u00e9teros, os estritamente homo e uma larga faixa no meio que pode ser resumida como \u201cbissexualidade\u201d, mas que pode ter suas diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 prefer\u00eancias ou atra\u00e7\u00f5es maiores por um sexo do que outro, por exemplo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No espectro da assexualidade, o mesmo acontece. Alguns s\u00e3o assexuais estritos, n\u00e3o sentem atra\u00e7\u00e3o sexual em nenhuma circunst\u00e2ncia. \u201cEu estou mais na zona cinza\u201d, explica Yuri. A tal zona cinza \u00e9 conhecida tamb\u00e9m como <em>Gray-A<\/em> e caracteriza os assexuais que podem sentir desejo sexual em determinadas situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. \u201cTem momentos que eu gosto do sexo, at\u00e9 sinto um pouco de prazer, mas n\u00e3o tenho essa necessidade. Sexo, para mim, n\u00e3o est\u00e1 acima das outras coisas\u201d, completa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda existem outras diferencia\u00e7\u00f5es. O assexual arrom\u00e2ntico n\u00e3o sente atra\u00e7\u00e3o sexual nem interesse amoroso, ao contr\u00e1rio do assexual rom\u00e2ntico, que pode se relacionar amorosamente com outras pessoas. Ainda dentro dos rom\u00e2nticos, os grupos se dividem entre heterrorom\u00e2nticos, birrom\u00e2nticos e homorrom\u00e2nticos. \u00c9 o caso de Poliana Lazarini, estudante de 18 anos, que se define como assexual estrita heterorrom\u00e2ntica. J\u00e1 os demissexuais s\u00f3 t\u00eam interesse sexual quando h\u00e1, primeiramente, um sentimento afetivo pelo outro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ariel Franz, 26, se classifica como assexual fluido. Nesse caso, sua atra\u00e7\u00e3o e desejo sexuais n\u00e3o s\u00e3o est\u00e1veis. \u201c\u00c9 uma pessoa que em um determinado tempo pode se sentir como um demissexual, tempos depois se sentir como um grayssexual e em outro per\u00edodo como um assexual estrito\u201d, explica Ariel sobre o termo. \u201cAssexualidade n\u00e3o se refere \u00e0 pr\u00e1tica, mas sim \u00e0 atra\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo\u201d, complementa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em uma sociedade hipersexualizada, entretanto, n\u00e3o \u00e9 incomum assexuais relatarem hist\u00f3rias em que o sexo \u00e9 realizado \u00e0s custas de press\u00f5es sociais ou como forma de agradar um parceiro ou parceira. \u201cGeralmente h\u00e1 uma expectativa para que sejamos pessoas sexualmente ativas\u201d, explica o professor Anthony. \u201cMuitos praticam sexo com seus parceiros ou parceiras para satisfaz\u00ea-los, mesmo que eles n\u00e3o se sintam atra\u00eddos nesse sentido\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs pessoas crescem ouvindo as outras dizerem que sexo \u00e9 maravilhoso. Ent\u00e3o quando voc\u00ea se afirma dizendo n\u00e3o gostar de sexo, h\u00e1 o espanto\u201d, relata Ariel. Durante relacionamentos ele tamb\u00e9m conta que j\u00e1 passou por experi\u00eancias frustrantes, principalmente antes de se descobrir assexual. \u201cEu me sentia uma pessoa falha por recusar o sexo. Eu n\u00e3o conseguia suprir as necessidades dos outros\u201d. Ele ainda conta sobre uma amiga que perguntou, incr\u00e9dula, se havia cura. \u201cQuando a gente conta que \u00e9 assexual, as pessoas simplesmente n\u00e3o acreditam\u201d, explica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para alguns, a quebra da press\u00e3o social do sexo por meio da auto aceita\u00e7\u00e3o foi o melhor caminho para uma boa auto-estima e uma vida mais saud\u00e1vel, principalmente no \u00e2mbito mental. \u201cPara mim, ser assexual \u00e9 quase um privil\u00e9gio. Isso faz com que n\u00f3s consigamos enxergar as pessoas mais do que apenas um corpo atraente nessa era t\u00e3o hiperssexualizada\u201d, diz Poliana, que se descobriu assexual h\u00e1 apenas dois meses.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro senso comum completamente equivocado \u00e9 associar a assexualidade \u00e0 falta de libido ou de sentir prazer. Pessoas no espectro cinza podem sentir prazer sexual, mesmo que n\u00e3o necessariamente sintam vontade e\/ou necessidade de realizar atos sexuais com outros. \u201cAlguns assexuais se masturbam mas mesmo assim n\u00e3o sentem atra\u00e7\u00e3o por outras pessoas\u201d, elucida o pesquisador Bogaert. \u201cEnt\u00e3o, se expressam sexualmente de forma solit\u00e1ria.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um estudo da Universidade da Col\u00fambia Brit\u00e2nica, no Canad\u00e1, com um total de 924 indiv\u00edduos, revelou que 60% dos assexuais relataram ter tido ou ter algum tipo de fantasia sexual, contra uma m\u00e9dia de 95% de pessoas alossexuais que declararam o mesmo. Ainda al\u00e9m, 11% dos entrevistados responderam que suas fantasias sexuais n\u00e3o envolvem outras pessoas &#8211; um n\u00famero muito maior do que o 1,5% de alossexuais que determinaram a mesma resposta. O estudo tamb\u00e9m concluiu que os assexuais, apesar de serem menos ativos nesse sentido, podem sim se masturbar, seja atrav\u00e9s de est\u00edmulos visuais ou apenas da imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mulheres t\u00eam maior tend\u00eancia \u00e0 assexualidade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ci\u00eancia tenta explicar os n\u00fameros relativos \u00e0s pesquisas sobre assexualidade. Elas apontam que mais mulheres s\u00e3o assexuais que homens, segundo dados da ProSex, da USP. A ci\u00eancia encontra algumas explica\u00e7\u00f5es. \u201cMulheres podem ter menor impulso sexual em geral em rela\u00e7\u00e3o aos homens, ent\u00e3o elas podem estar muito representadas na extremidade inferior do espectro sexual\u201d, afirma Bogaert.&nbsp; Contudo, segundo ele, os n\u00fameros podem revelar caracter\u00edsticas sociais para al\u00e9m das fisiol\u00f3gicas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mariana Santos, 27, estudante de Ci\u00eancias Sociais, \u00e9 assexual e conta que percebe uma rea\u00e7\u00e3o diferente das pessoas quando conta a elas sua orienta\u00e7\u00e3o sexual em compara\u00e7\u00e3o com seus amigos assexuais. Segundo ela, isso acontece porque, em resumo, vivemos sob a seguinte constru\u00e7\u00e3o social: os homens devem ser sexualmente expressivos e as mulheres n\u00e3o, mas a atra\u00e7\u00e3o e o h\u00e1bito sexual deve fazer parte da vida dos dois, ainda que de formas diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os homens a resist\u00eancia da aceita\u00e7\u00e3o \u00e9 maior, tanto por parte deles mesmos, quanto por parte da sociedade. O machismo estrutural faz com que menos homens se declarem assexuais em compara\u00e7\u00e3o com as mulheres e tamb\u00e9m faz com que os homens assexuais sejam menos aceitos. \u201cH\u00e1 uma l\u00f3gica patriarcal e sexista que rege as rela\u00e7\u00f5es sociais e que afirma que os homens devem ter uma vida sexual ativa. Desde o in\u00edcio da adolesc\u00eancia a pornografia \u00e9 estimulada nos c\u00edrculos frequentados pelos garotos, e muitas vezes esses est\u00edmulo vem at\u00e9 mesmo dos pr\u00f3prios pais\u201d, conta Mariana, que cresceu em meio a cinco irm\u00e3os.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cJ\u00e1 as mulheres \u2018respeit\u00e1veis\u2019 e \u2018dignas\u2019 n\u00e3o devem expressar sua sexualidade, se resguardando para apenas um homem, seu parceiro rom\u00e2ntico, que tem o dom\u00ednio sobre seu corpo e seu comportamento\u201d, explica. Mulheres que declaram ter uma vida sexual ativa n\u00e3o raramente s\u00e3o oprimidas e caladas. Meninas t\u00eam menos acesso a informa\u00e7\u00f5es sobre sexualidade, porque o assunto \u00e9 velado dentro das suas casas e, consequentemente, em seus c\u00edrculos sociais. \u201cPor isso \u00e9 que as mulheres t\u00eam menos dificuldades em se auto declararem assexuais e essa condi\u00e7\u00e3o \u00e9 mais bem aceita, ainda que por motivos preconceituosos e distorcidos\u201d, conta Mariana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u00c9 poss\u00edvel amar sem sexo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><\/strong>Segundo o professor Bogaert, um dos maiores mitos difundidos na sociedade sobre a assexualidade \u00e9 que as pessoas assexuais n\u00e3o s\u00e3o interessadas em rela\u00e7\u00f5es amorosas. Os assexuais rom\u00e2nticos provam o contr\u00e1rio. Nesse ponto, \u00e9 importante diferenciar o interesse rom\u00e2ntico do interesse sexual. Enquanto o segundo envolve diretamente a libido humana, os relacionamentos rom\u00e2nticos s\u00e3o muito mais emocionais e socialmente constru\u00eddos. Por mais que seja estranho para o senso comum sexonormativo, \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel \u2013 e at\u00e9 mesmo l\u00f3gico \u2013 dissociar os dois conceitos; afinal, se a ideia de que \u00e9 poss\u00edvel haver sexo sem amor, porque n\u00e3o o contr\u00e1rio?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, considerando esses dois aspectos como distintos e independentes, pessoas que experienciam ambos os interesses s\u00e3o denominados alossexuais \u2013 ou seja, a maior parte da popula\u00e7\u00e3o. Aqueles que sentem apenas o interesse amoroso s\u00e3o chamadas de assexuais rom\u00e2nticos, e os que n\u00e3o se interessam nem romanticamente e nem sexualmente s\u00e3o assexuais arrom\u00e2nticos. N\u00e3o \u00e9 incomum, portanto, que pessoas assexuais mantenham relacionamentos amorosos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro mito \u00e9 que assexuais se relacionam apenas com outros assexuais. Por se tratar especialmente de emo\u00e7\u00e3o e conex\u00e3o, o relacionamento rom\u00e2ntico pode ocorrer entre qualquer pessoa rom\u00e2ntica. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, por\u00e9m, manter um relacionamento desse tipo em uma sociedade extremamente sexualizada. Poliana conta que esteve em um relacionamento por um ano, e sua principal barreira era o julgamento de terceiros: \u201cAs pessoas falavam: \u2018como voc\u00ea pode gostar de uma pessoa e n\u00e3o ter vontade de beijar?\u2019. E na \u00e9poca eu me sentia um extraterrestre\u201d. O medo de decepcionar os sentimentos do seu parceiro tamb\u00e9m foi constante. Mas hoje a estudante entende que seu comportamento \u00e9 perfeitamente normal: \u201cEu n\u00e3o tenho vontade, simples assim. Isso n\u00e3o me impede de gostar de uma pessoa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Yuri defende que, nos relacionamentos entre assexuais e alossexuais, deve haver empatia destes. \u201cSe relacionar com um assexual tamb\u00e9m deve ser dif\u00edcil, mas as pessoas tem que achar um acordo, porque sen\u00e3o n\u00e3o vai dar certo. Tanto pode existir necessidade b\u00e1sica do sexo para uns, como pode n\u00e3o existir para outros\u201d, afirma ele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A problem\u00e1tica dessas rela\u00e7\u00f5es, no entanto, vai al\u00e9m. Mesmo que um parceiro respeite os limites do outro, a press\u00e3o pela realiza\u00e7\u00e3o do ato sexual pode vir da sociedade em geral ou at\u00e9 de uma culpa interna, um medo de perder o relacionamento se n\u00e3o houver sexo. \u201c[Algumas pessoas] praticam sexo com seus parceiros\/parceiras rom\u00e2nticos para satisfaz\u00ea-los, mesmo que n\u00e3o se sintam atra\u00eddos nesse sentido\u201d, conta Bogaert.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas isso tamb\u00e9m pode ser perigoso. Mariana conta que a maioria dos homens alossexuais com quem se relacionou n\u00e3o aceitavam sua condi\u00e7\u00e3o. \u201cPor muito tempo eu transei sem ter vontade, por obriga\u00e7\u00e3o. Muitas vezes a rela\u00e7\u00e3o sexual foi for\u00e7ada mesmo. Hoje vejo isso como um abuso, um estupro. Na \u00e9poca eu n\u00e3o percebi. N\u00e3o sabia que eu era assexual, mas sabia que eu n\u00e3o me sentia confort\u00e1vel. Depois do sexo, vinha o choro\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Preconceito e visibilidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1948, o bi\u00f3logo e sex\u00f3logo Alfred Kinsey publicou o pol\u00eamico \u201c<em>Sexual Behavior in the Human Male<\/em>\u201d. O livro coletou dados sobre a sexualidade humana e criou uma escala de orienta\u00e7\u00e3o sexual, baseada nos extremos 0 e 7, sendo 0 estritamente heterossexual e 7 estritamente homossexual, com os n\u00fameros intermedi\u00e1rios representando nuances da bissexualidade. O car\u00e1ter assexual n\u00e3o foi inclu\u00eddo em sua escala, mas n\u00e3o deixou de ser representado: n\u00e3o por um n\u00famero, mas pela letra X, para mostrar que era algo diferente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso de Kinsey \u00e9 simb\u00f3lico de como o debate acerca da quest\u00e3o assexual foi e ainda \u00e9 muito restrito. Mesmo com as novas prerrogativas do estudo de g\u00eanero do final do s\u00e9culo 20 e do come\u00e7o do s\u00e9culo 21, grande parte do pensamento sobre a sexualidade humana parte do pressuposto que a atra\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 algo natural e compuls\u00f3rio; \u00e9 a chamada sociedade sexonormativa. \u201cAs pessoas n\u00e3o compreendem bem a assexualidade porque existem menos assexuais do que, por exemplo, gays e l\u00e9sbicas\u201d, relembra Bogaert, pioneiro dos estudos sobre a assexualidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da baixa representatividade percentual, os assexuais ultrapassam o n\u00famero de 70 milh\u00f5es de pessoas, constituindo uma popula\u00e7\u00e3o maior que a de pa\u00edses como a Fran\u00e7a e o Reino Unido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Grande parte da falta de visibilidade que acomete a causa assexual \u00e9 explicada pela quase inexistente representa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica dessa orienta\u00e7\u00e3o. Diferente da homossexualidade, bissexualidade e at\u00e9 mesmo transsexualidade, \u00e9 dif\u00edcil encontrar personagens not\u00e1veis que carreguem a condi\u00e7\u00e3o da assexualidade. Muito mais que uma necessidade de se ver na m\u00eddia, a representatividade tamb\u00e9m \u00e9 importante no pr\u00f3prio processo de auto entendimento da condi\u00e7\u00e3o. Ariel conta que se descobriu assexual atrav\u00e9s da televis\u00e3o: \u201cFoi uma entrevista sobre assexualidade no programa da Mar\u00edlia Gabriela. A entrevistada, a pesquisadora Elisabete Regina, descreveu a assexualidade e eu me identifiquei\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Poliana tamb\u00e9m comenta da import\u00e2ncia que a m\u00eddia teve sobre sua aceita\u00e7\u00e3o, lembrando do personagem Sheldon da s\u00e9rie americana \u201cThe Big Bang Theory\u201d, interpretado pelo ator Jim Parsons: \u201cQuando na \u00e9poca que eu assistia e n\u00e3o sabia sobre a assexualidade, ele era a pessoa que eu mais me identificava. Eu nunca achei ele exc\u00eantrico. Eu olhava e falava: \u2018isso n\u00e3o \u00e9 esquisito\u2019\u201d, se referindo ao fato que o desinteresse sexual do personagem muitas vezes era tratado como algo c\u00f4mico. \u201cEra como uma forma de consolo e de abrigo, ele era o \u00fanico com o qual eu podia me identificar\u201d, acrescenta ela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a falta de representa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica dificuldade que os assexuais enfrentam. Por ser uma condi\u00e7\u00e3o muitas vezes desconhecida, o preconceito \u00e9 algo constante na vida dessas pessoas. \u00c9 comum que a assexualidade seja patologizada, associada a defici\u00eancia de horm\u00f4nios ou traumas sexuais \u2013 embora a comunidade cient\u00edfica n\u00e3o tenha chegado a um consenso e os estudos mais recentes consideram a condi\u00e7\u00e3o como mais uma orienta\u00e7\u00e3o sexual. Poliana relembra a ocasi\u00e3o em que, ao se assumir para um amigo, foi alvo de preconceito: \u201cEle riu na minha cara, falou que era frescura. Depois, disse: \u2018me mostra seus exames hormonais e a gente conversa\u2019\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A comunidade <em>ace <\/em>\u2013 &nbsp;como s\u00e3o conhecidos os assexuais no exterior \u2013 encontra tamb\u00e9m resist\u00eancia em ser aceita dentro do pr\u00f3prio meio LGBT. At\u00e9 mesmo a sigla do movimento reflete isso: embora haja a varia\u00e7\u00e3o LGBTQA+, em que o A sinaliza a assexualidade, \u00e9 mais frequente o uso da sigla LGBTQ+ (que engloba os <em>queer<\/em>) ou simplesmente LGBT, que ignora outras minorias que se diferem do padr\u00e3o heteronormativo. Yuri concorda em que ainda h\u00e1 uma resist\u00eancia por parte dos LGBT de compreender e aceitar a assexualidade como orienta\u00e7\u00e3o sexual leg\u00edtima: \u201cEu n\u00e3o me sinto aceito no meio LGBT. Eu realmente acho que como o surgimento da comunidade gay foi a partir da liberta\u00e7\u00e3o sexual, a ideia de n\u00e3o fazer sexo para eles \u00e9 muito estranha\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aos poucos, por\u00e9m, a assexualidade ganha visibilidade, especialmente na internet, espa\u00e7o em que a milit\u00e2ncia e a troca de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais din\u00e2mica. A I Parada Assexual do Brasil, que aconteceu em 2015, em S\u00e3o Paulo, ilustra a import\u00e2ncia do virtual na organiza\u00e7\u00e3o dos assexuais como grupo social. A reuni\u00e3o foi combinada por um evento de Facebook e reuniu cerca de 150 pessoas que se manifestaram na Avenida Paulista sob as cores da bandeira assexual. Por ser o \u00fanico espa\u00e7o rico em informa\u00e7\u00f5es sobre essa orienta\u00e7\u00e3o, \u00e9 comum que assexuais se encontrem como tais depois de pesquisas online, como foi o caso de Poliana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA internet simplesmente nos une\u201d, diz Ariel, que coordena p\u00e1ginas e um blog sobre o assunto. \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil encontrarmos assexuais na vida real. \u00c9 atrav\u00e9s da internet que nos ajudamos, compartilhamos experi\u00eancias e fazemos novos amigos assexuais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi tamb\u00e9m na internet que surgiram alguns marcos para a luta assexual. As cores preto, cinza, branco e roxo foram escolhidas e tamb\u00e9m popularizadas na rede como representativas do movimento e formam a bandeira que hoje une todo o espectro assexual. Outro s\u00edmbolo informal do movimento surgiu na internet: o bolo. Isso porque a anedota de que assexuais preferem bolo \u00e0 sexo se popularizou e logo se transformou numa esp\u00e9cie de piada interna do grupo, um meio de reconhecimento. Mais al\u00e9m, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que a pr\u00f3pria milit\u00e2ncia assexual teve seu in\u00edcio na internet, mais de 20 anos atr\u00e1s \u2013 atrav\u00e9s de uma met\u00e1fora debochada e inteligente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Vivendo como uma ameba<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1997, a usu\u00e1ria de um f\u00f3rum americano Zoe O\u2019Reilly publicou o relato \u201cMy life as an amoeba\u201d (<em>A minha vida como uma ameba<\/em>), em que ela elenca pontos de reivindica\u00e7\u00e3o para o grupo assexual e faz um paralelo levemente c\u00f4mico com as amebas, seres microsc\u00f3picos que v\u00eam imediatamente \u00e0 mente das pessoas alossexuais quando se fala de assexualidade. \u201cNa vis\u00e3o de todo o resto do mundo, n\u00e3o existem seres assexuais com mais de uma c\u00e9lula\u201d, ironizou ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde ent\u00e3o, a ameba tamb\u00e9m passou a ser um s\u00edmbolo sarc\u00e1stico dos assexuais, principalmente no exterior. O relato \u00e9 considerado como um primeiro manifesto de defesa dessa orienta\u00e7\u00e3o e \u00e9 um marco na luta assexual, sendo pioneira na uni\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o entre assexuais de todo o mundo. \u201cEu finalmente encontrei outra pessoa que \u00e9 assexual\u201d, diz um dos coment\u00e1rios. Outro membro do f\u00f3rum tamb\u00e9m expressa seu al\u00edvio ao descobrir semelhantes: \u201cEu estive lidando por muito tempo com a minha sexualidade (&#8230;) e estou feliz de ver que h\u00e1 muitos outros [assexuais] por aqui!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relato do mil\u00eanio passado tamb\u00e9m prova que os assexuais sempre existiram \u2013&nbsp; apesar de, por press\u00e3o, desconhecimento ou outros motivos,&nbsp; esconderem por muito tempo sua condi\u00e7\u00e3o e tentarem se adequar ao padr\u00e3o sexonormativo da sociedade. Por meio do ativismo da comunidade assexual, a desconstru\u00e7\u00e3o de uma no\u00e7\u00e3o de alossexualidade compuls\u00f3ria \u00e9 constru\u00edda, e a internet \u00e9 um importante meio para atingir avan\u00e7os, principalmente atrav\u00e9s da divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o e depoimentos que ajudam a compreender que a sexualidade humana \u00e9 muito complexa e pode se expressar (ou n\u00e3o se expressar) de v\u00e1rias formas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cVoc\u00eas [alossexuais] podem n\u00e3o nos entender por inteiro, eu compreendo essa parte. Mas tenham empatia, sejam gentis\u201d, pede Poliana. \u201cSe algu\u00e9m se assumir assexual, n\u00e3o ria, n\u00e3o bombardeie com argumentos clich\u00eas e n\u00e3o seja desrespeitoso. \u00c9 uma grande honra para gente contar com uma pessoa e ela ser legal ao inv\u00e9s de um tremendo p\u00e9 no saco.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Por Bruno Carbinatto<\/strong><br>brunocarbinatto@usp.br<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ainda esquecidos pela ci\u00eancia e pela m\u00eddia, pessoas assexuais desafiam a ideia de que sexo \u00e9 uma necessidade para todos e ganham espa\u00e7o \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=89\"> <\/a>","protected":false},"author":30,"featured_media":90,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-89","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-revista-babel-junho-2020"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Assexualidade: \u201cN\u00e3o tenho vontade, simples assim\u201d - Revista Babel<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=89\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Assexualidade: \u201cN\u00e3o tenho vontade, simples assim\u201d - Revista Babel\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Ainda esquecidos pela ci\u00eancia e pela m\u00eddia, pessoas assexuais desafiam a ideia de que sexo \u00e9 uma necessidade para todos e ganham espa\u00e7o\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/?p=89\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Revista Babel\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2020-06-21T15:58:40+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2020-09-30T13:43:39+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/babel.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Bruno-Carbinatto.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"700\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"467\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Bruno Carbinatto\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Bruno Carbinatto\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"21 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=89#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=89\"},\"author\":{\"name\":\"Bruno Carbinatto\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/92ba855c5b8208afbeec7095e042a879\"},\"headline\":\"Assexualidade: \u201cN\u00e3o tenho vontade, simples assim\u201d\",\"datePublished\":\"2020-06-21T15:58:40+00:00\",\"dateModified\":\"2020-09-30T13:43:39+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=89\"},\"wordCount\":4170,\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/?p=89#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/babel.eca.usp.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/06\\\/Bruno-Carbinatto.jpg\",\"articleSection\":[\"Babel 2020 - Ed. 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